Resenha do site: Deixa Rolar

deixa-rolarGênero estabelecido e tradicional por quase duas décadas, as comédias românticas reinaram absolutas nos cinemas e nos corações dos espectadores, mas de alguns anos pra cá vem perdendo espaço para os filmes que atualmente fazem parte de um cinema extremista: vão do “inteligente demais” ao “estúpido demais”. Como comédias românticas são, por essência, meios termos divertidos e despretensiosos, hoje elas acabaram disfarçadas de filmes cabeça (O Lado Bom da Vida ou Magia ao Luar), filmes indie (Ela, (500) Dias Com Ela ou A Garota Ideal) ou bobagens teen que não chegam nem perto dos clássicos do gênero (Será Que? ou Two Night Stand). Poucas são as novas produções que fazem jus ao gênero no cinema atual, como Amizade Colorida, Questão de Tempo ou Como Não Perder Esta Mulher. Será que o Capitão América consegue reverter este quadro?

Bom, não. Pra um filme que se dispõe a tirar sarro dos clichês de comédia romântica, Deixa Rolar cai justamente no óbvio e repete todos eles. Temos a trilha bacaninha, os amigos estereotipados e engraçadinhos, as referências, o casal principal de beleza arrebatadora, o texto metido a inteligente… (lembra da nossa lista dos 10 fatores essenciais pra uma boa comédia romântica? Aqui eles não funcionam) está tudo ali, mas em um conjunto que, novamente, pretende criticar o gênero, se tornam deslocados. O pôr-do-sol, a corrida no aeroporto, a declaração de amor fora de hora… está tudo lá, mas ainda assim não rola.

Chris Evans (mais conhecido como Capitão América) é o narrador da história, o que pretende dar um ponto de vista masculino para o filme (e tome piadas machistas para… agradar os namorados da plateia?). Aqui ele é um roteirista de cinema que é praticamente obrigado a escrever o roteiro de uma comédia romântica para poder fazer o que gosta: escrever filmes de ação (não que isso tenha alguma relevância pro desenrolar da história do filme, que se limita a amigo se apaixona por amiga). Mas o problema é que Evans nunca se apaixonou de verdade e zomba de todas as histórias do gênero, adorado por um de seus amigos, o ingênuo e romântico Scott (Topher Grace, de O Casamento do Ano e Interestelar). Um entre os amigos estereotipados-que-eram-pra-ser-engraçados-mas-não-são de Evans, Scott é o único deles que acredita no amor e é ele quem dá a maior foça para que o amigo escreva o tal roteiro. Surpresa esse único amigo que acredita no amor e não faça piada machista ser gay? Não, só mais um clichê mal aproveitado.

Mas eis que em uma festa nosso herói, quer dizer, galã, conhece a linda, inteligente e divertida (como elas sempre são) Michelle Monaghan (de O Melhor Amigo da Noiva e Missão: Impossível – Protocolo Fantasma) e, claro, se apaixona logo de cara. Mas a moça é comprometida (plot twist) e o máximo que ele vai conseguir é ser seu amigo. A partir daí o filme se desenvolve como a história do casal que é apenas amigo mas onde ele quer ser algo mais.

Não entenda mal, não é o excesso de clichês e de histórias requentadas que faz de Deixa Rolar um filme ruim. Afinal é disso que são feitas as (boas) comédias românticas. O que faz com que ele não funcione é algo entre seu tom machista-engraçadinho fora de contexto, seu ritmo de quem tomou várias latinhas de energético e seus personagens irritantes. Algo na mistura toda não funcionou bem e fez a coisa toda desandar.

Dirigido pelo estreante Justin Reardon e roteirizado pela dupla Chris Shafer e Paul Vicknair (que ano passado escreveu Before We Go, estréia na direção do próprio Chris Evans, que também fazia parte do elenco), Deixa Rolar ainda traz outras caras conhecidas do público como Anthony Mackie (de Capitão América e Vingadores), Ioan Gruffud (de Quarteto Fantástico) e Luke Wilson (de Os Excêntricos Tenenbaums), mas é no carisma do casal protagonista que ele finca os pés e, apesar da simpatia e beleza dos dois, infelizmente não funciona.

Não vai ser dessa vez que as boas comédias românticas voltarão aos cinemas. Talvez o público esteja sim menos ingênuo que no passado e histórias como de Sintonia de Amor ou Um Lugar Chamado Notting Hill não funcionem completamente hoje em dia. Mas alguns filmes têm mostrado que, com inteligência, humor e por que não alguma ingenuidade e algum sex apeal, o gênero pode sim se reinventar. Basta um bom roteiro e bons atores. E isso, aparentemente, é algo cada vez mais em extinção em Hollywood. Na dúvida reveja pela centésima vez um dos clássicos do gênero com Julia Roberts, Tom Hanks, Meg Ryan, Sandra Bullock ou Hugh Grant. Esses são garantidos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: