Resenha do site: Dama Dourada

a dama dourada2Imagine a seguinte situação: uma mulher brasileira resolve entrar na justiça dizendo-se a verdadeira dona da Monalisa (na verdade retrato de uma tia dela) e querendo que ela seja entregue pela França e enviada do Louvre para suas mãos.

Guardadas as devidas proporções históricas, políticas e artísticas, é disso que trata Dama Dourada, inspirado numa história real. A vencedora do Oscar Helen Mirren é Maria Altmann, uma austríaca que vive nos Estados Unidos e que com a morte da irmã resolve fazer as pazes com sua história: o quadro Dama Dourada, de Gustav Klimt é na verdade um retrato de sua tia Adele, feito pelo artista no passado. O quadro foi um presente feito com esmero e que acabou por força das circunstâncias, se tornando “a Monalisa austríaca”. Reconhecida no mundo todo, transformada em cartões e ímãs de geladeira, a obra seria, por direito, pertencente à família Altmann. Mas como ela foi parar num museu da Áustria ao invés de continuar com a família e por que Maria, depois de tanto tempo resolveu tomá-la para si?

Durante a Segunda Guerra Mundial os judeus foram maltratados e expulsos de suas casas, que foram saqueadas e destruídas. Foi em um destes saques que os nazistas tomaram posse das obras de arte na casa dos Altmann, dentre elas, a Dama Dourada. Com o fim da guerra, muitas obras foram recuperadas e levadas aos museus, ao invés de entregues aos seus devidos donos. Agora, mais de 50 anos depois do fim da guerra, Maria decide que aquela homenagem à sua amada tia deve voltar às suas mãos.

Sem muito didatismo, a briga que Maria enfrentará na justiça austríaca e americana é retratada em tons simples e emocionantes. Por vezes até engraçados. É claro que o governo da Áustria não vai abrir mão facilmente de um de seus maiores símbolos. É meio como o caso da Monalisa citado no início deste texto. Ou como se alguém chegasse no Brasil e dissesse: “O Cristo Redentor pertence à minha família. Tenho documentos que comprovam, quero levá-lo embora.”. Mesmo com documentos e provas físicas (que Maria possui, no caso do filme), não seria exatamente uma briga fácil. Some-se a isso o terror que a própria personagem sente em voltar à Áustria, de onde saiu fugida abandonando os pais por conta da perseguição nazista, um preconceito ainda existente por lá contra os judeus e seu inexperiente e inapto advogado (vivido com eficiência por Ryan Reynolds).

Entre flashbacks e momentos atuais, a história de Maria e de sua família vai sendo contada em cores e tons que nunca caem no exagero. Com cara de “feito pra Oscar”, o filme acaba tendo muitos dos elementos que os votantes da Academia de Cinema tanto gostam, e não será muita surpresa se estiver entre alguns dos indicados: uma atriz veterana já vencedora do prêmio, um jovem ator promissor, baseado numa história real de superação, segunda guerra… é preciso que se lembre que a Segunda Guerra Mundial está para o cinema americano como a ditadura está para o Brasil: o tema nunca vai se esgotar (por mais que já tenha cansado).

Muito menos maniqueísta que longas como 12 Anos de Escravidão que venceram o Oscar seguindo um manual e sendo produções plásticas e sem emoção, Dama Dourada tem muito mais potencial. No entanto teve uma pequena (pra não dizer nula) campanha neste sentido e o filme que demorou meses pra estrear no Brasil pode por conta disso passar desapercebido tanto para o público quanto para a Academia. É pena, na comparação com 12 Anos, por exemplo, ele é muito melhor.

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