#Oscar2016 – Resenha do site: O Regresso

o-regressoQuando se fala em épico, muitas vezes o que vem à nossa mente são aqueles filmes antigos, de grandes duelos, eventos históricos, filmes de “espada e sandália”. Sim, muitas vezes isso é correto, embora Gladiador possa se enquadrar nessa categoria e não seja exatamente antigo (o filme é de 2000, isso já faz dele um filme “antigo”?).

Mas, por definição, um filme épico é aquele que retrata grandes feitos heroicos, geralmente centrado em um único personagem ou povo e quase sempre com grandes paisagens e de grande produção. O Regresso se enquadra nessa categoria? Definitivamente.

Podemos dizer que este é um “épico de arte”. O filme é de uma grandiosidade impressionante. Suas paisagens cobertas de neve enchem os olhos, o drama pessoal de seu personagem principal é angustiante, sua sede de vingança justificável, seu ritmo lento, quase de um faroeste.

Ao longo das mais de duas horas do filme, acompanhamos a saga de Hugh Glass, um caçador de peles que, em meados dos anos 1820 é atacado por um urso e deixado no meio da floresta. Construído milimetricamente e sem um segundo de falha técnica, absolutamente todas as cenas de O Reresso são aterradoras. Visual e contextualmente falando.

Glass, um personagem real da história americana, sobrevive a muito custo ao ataque (uma das cenas mais espetaculares já criadas pelo cinema, aliás) e, depois de uma tentativa de salvamento de seus companheiros, acaba abandonado por um deles e, por motivos que não convém revelar aqui, luta para sobreviver e partir em busca de vingança.

Depois da experiência cinematográfica que foi Birdman, o diretor Alejandro González Iñárritu corre o sério risco de novamente levar os Oscars de melhor filme e direção. Seu trabalho em O Regresso é fenomenal e se peca, peca pelo excesso. Alguns longos takes de paisagens e pores-do-sol podem incomodar um pouco e atrapalhar a narrativa, por si só lenta, mas de forma alguma isso tira o brilhantismo do filme.

Leia nossa resenha de Birdman

Se Birdman era um filme concebido de forma totalmente nova e inacreditável, Iñárritu bebe um pouco de sua fonte e cria cenas longas, sem cortes (visíveis) em diversos momentos, enfiando a câmera na ação a ponto dela embaçar com a respiração de um personagem ou ser respingada de sangue e neve.

Campeão de indicações ao Oscar deste ano, com 12 no total, O Regresso é franco favorito nas categorias de filme, direção e ator, num desempenho aterrador de Leonardo DiCaprio. Tom Hardy, como o antagonista do filme também não deixa nada a desejar, mas é DiCaprio, tantas vezes esnobado pela Academia quem brilha.

Pode ser que O Regresso não seja um filme fácil (e não é). Suas cenas são longas e diversas vezes agoniantes. Mas testemunhar a jornada de Glass contada de forma deslumbrante como Iñárritu conta é, sem dúvida, testemunhar o que de melhor o cinema pode produzir.

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