Resenha do site – A Lenda de Tarzan

a-lenda-de-tarzanDizem que a indústria do cinema está sofrendo como nunca de uma crise de falta de criatividade. Os inúmeros reboots/spin offs e remakes que estreiam semana após semana só fazem comprovar este fato.

Alguns filmes se mostram bons o suficiente para não fazer feio diante de seus originais, como Jurassic World, Truque de Mestre 2, Mad Max: Estrada da Fúria ou o mais recente Caça-Fantasmas. Outros são apenas esquecíveis, como Robocop, O Vingador do Futuro ou A Hora do Espanto. No entanto há os casos daqueles que não deveriam ou não precisavam ter sido feitos. Ou que foram feitos de forma a destruir boas reputações do original.

Estamos falando de filmes como Poltergeist ou A Lenda de Tarzan, que estreia esta semana nos cinemas brasileiros. Sim, o longa ainda é uma adaptação da clássica história criada por Edgar Rice Burroughs que já rendeu inúmeras outras versões no cinema e na TV, as mais conhecidas delas sendo o seriado dos anos 70 que imortalizou o famoso grito de Tarzan e a animação da Disney de 1999.

Claro que encontrar uma maneira original de recontar esta história seria extremamente difícil, mas o longa dirigido por David Yates (diretor dos últimos quatro filmes de Harry Potter) peca já no seu início, ao começar a contar a história em um ponto APÓS Tarzan sair da floresta e já ser um cavalheiro inglês. Isso não seria necessariamente um problema, não fosse o filme se chamar justamente A Lenda de Tarzan, o que leva o espectador a pensar que vai sim rever a história da origem do herói. As cenas que contam o pouco da infância e da tragédia que culminou em sua criação por macacos vem apenas em flashbacks escassos.

Ok, você pode argumentar que, justamente já viu essas cenas várias vezes e que não havia razão para contá-las novamente. Tudo bem, você está certo, realmente não existe razão. Todos sabemos como Tarzan se tornou quem se tornou. Então qual o verdadeiro problema? O problema do filme está em tentar criar uma trama política envolvendo roubo de diamantes, escravidão e genocídio para levá-lo (e a Jane) de volta para a África e lá tentar transformar o personagem em uma espécie de super-herói que deve resgatar sua amada e salvar o vilarejo.

Se A Lenda de Tarzan pretendia beber das fontes de aventuras hoje clássicas como Indiana Jones, A Ilha da Garganta Cortada Tudo Por Uma Esmeralda, erra feio ao criar uma trama que não envolve e um protagonista sem nenhum carisma. Tudo embalado em um visual deslumbrante funciona como um presente ruim em um papel bonito.

A culpa pode não ser de Alexander Skarsgard, estreando como protagonista no cinema depois de seu papel de destaque em True Blood. Ou de Margot Robbie que hoje já carrega o peso de sua Arlequina nas costas, mesmo antes da estréia de Esquadrão Suicida. Samuel L. Jackson e Chistoph Waltz também não parecem ser os culpados, apesar do primeiro parecer completamente deslocado e o segundo se manter no mesmo personagem que lhe deu o Oscar em 2010 e 2013. Tarzan aqui é um homem que tenta parecer atencioso mas tem a cara fechada o tempo todo. Alguém que qualquer um temeria se aproximar e nem seus feitos heroicos e seu abdômen extra-definido conseguem transformá-lo em uma figura mais humana.

A impressão que se tem é que alguma coisa desandou no meio do processo. Talvez a pressão dos estúdios para se iniciar uma nova franquia. Talvez o peso de requentar uma história tão conhecida. Talvez o medo de se exigir mais de seus protagonistas. Talvez o gasto com os efeitos tenha sido tão grande que não sobrou muito para lapidar o roteiro. Mas o fato é que quando o filme termina (com uma cena de encher os olhos, é preciso admitir), A Lenda de Tarzan não consegue permanecer 10 minutos na memória. Torna-se só mais um reboot esquecível como o cinema parece estar produzindo aos baldes ultimamente. O que é uma pena, já que seus protagonistas têm talento de sobra.

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