Por quê você tem que parar de reclamar de Pokémon Go

Ok, trata-se de um jogo de celular que virou febre instantânea no mundo. Mas Pokémon Go vai muito além disso: é uma real possibilidade para a disseminação da realidade aumentada, tecnologia que vem se esperando desde a década de 90 e que nas mãos do Google foi um fracasso. Agora pode ser a chance dela decolar de vez com inúmeras utilizações mais “úteis”. (e pense que, na pior das hipóteses, está fazendo uma geração conhecida pelo sedentarismo levantar e ir pra rua. Mesmo que seja de celular em punho)

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O texto abaixo foi retirado do site “Experiências Digitais” da Revista Época:

Quem não se lembra do game com música viciante no qual Mario e Luigi enfrentavam vários obstáculos para conseguir salvar a Princesa Peach das garras do vilão? A febre dos anos 1980 e 1990, Super Mario Bros, lançada pela Nintendo, foi um dos jogos mais vendidos na história. Em 2006, a empresa voltou a brilhar com o lançamento doNintendo Wii, que apresentava ao mundo um novo jeito de se divertir com videogames, baseado no gestual do jogador. Agora, após longa maré de resultados ruins (são cinco anos com queda nos lucros), a Nintendo voltou ao centro das atenções com o lançamento do aplicativo Pokémon Go. O jogo consiste em usar a tecnologia derealidade aumentada para capturar, no “mundo real”, os monstrinhos lutadores que só existem no mundo virtual (se você não sabe ou não se lembra: a palavra pokémon vem do inglês “pocket monster”, monstro de bolso. Nos jogos e no desenho animado, humanos colecionam e treinam os monstrinhos e os colocam para brigar. Explicando assim, parece um esporte cruel. Mas levou a criançada ao delírio como game, em 1996, e como desenho animado, em 1997).

O sucesso do novo game Pokémon Go virou fenômeno na cultura pop, no mundo dos negócios e na tecnologia. Desde os anos 1990 fala-se em realidade aumentada – a possibilidade de agregar ao mundo real camadas de informação digital, visível somente aos olhos de quem está usando um equipamento (como a câmera do celular, no caso doPokémon Go). Imagine os seguintes usos:

* qualquer tipo de condutor, seja motorista de um carro, seja piloto de uma aeronave, não precisaria mais baixar o olhar para um painel ou procurar mostradores específicos, a fim de enxergar dados úteis à navegação, sobre o entorno, o caminho e as condições do veículo que conduz;

* qualquer tipo de profissional encarregado de fazer inspeções, avaliações e análises ganharia auxílio digital. Um técnico de controle de qualidade apenas olharia para a peça a sua frente e enxergaria as instruções necessárias para a checagem. Um arquiteto ou interessado em fazer reforma num imóvel olharia para as paredes e veria as instalações elétricas e hidráulicas;

* jogos, jogos, jogos…

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Há uma infinidade de exemplos de aplicações militares, esportivas, médicas, educacionais, turísticas (leia mais a respeito abaixo). Antes de a Nintendo fazer sua aposta certeira, empresas como o Google tentaram levar essa tecnologia às massas. O Google Glass era um par de óculos “inteligentes” que prometeu auxiliar em tarefas do dia a dia. O usuário via o mundo com uma camada a mais, de informação digital. Além de o preço do equipamento ser alto, o produto anunciado ao mercado em 2013 ainda estava longe de chegar à fase final de desenvolvimento, segundo disseram, ao jornal americanoThe New York Times, antigos funcionários do Laboratório X, responsável pela criação dos óculos. Era um protótipo e ainda apresentava pontos fracos, como a bateria com pouca durabilidade.

Um cenário bem possível, no momento, é que a atenção global dada ao Pokemon Go multiplique o número de iniciativas com realidade aumentada. Mais empresas, investidores e profissionais de tecnologia fariam apostas nessa área. Nesse cenário, vai crescer o número de tentativas bem-sucedidas, e vai cair o custo da tecnologia.

No momento, basta observar a dimensão do fenômeno. O Pokémon Go bateu o Tinder em número de downloads, e tudo indica que é questão de tempo para alcançar o Twitter – e isso em apenas dez dias, enquanto o Tinder e o Twitter são veteranos, com quatro e dez anos de mercado, respectivamente. Em apenas dois dias, o jogo foi baixado por 5% dos smartphones Android dos Estados Unidos, segundo dados da consultoria americana SimilarWeb.

Leia mais: primeiro filme em live action do Pikachu

Criado no final da década de 1980, o lançamento da febre do Game Boy deixou seu legado para os anos posteriores: o Nintendo DS (2004) e o 3DS (2010), que não tiveram tanto apelo. Ainda que os jogos dePokémon na época do primeiro portátil tenham dado fôlego à Nintendo, não foi possível superar a inovação da Sony nos consoles, que batia o Nintendo 64 com o uso de CDs no lugar dos bons e velhos cartuchos. Os herdeiros do Nintendo 64 ficaram longe da unanimidade no mercado. Sofreram concorrência duras da Sony e, mais tarde, da Microsoft e do Xbox em 2001.

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Foram longos dez anos para a Nintendo, que não conseguiu arrebatar mais que o coração dos fãs nostálgicos da marca. Além de apostar novamente nos Pokémons – que foi um dos games mais populares nos consoles e nos portáteis –, a Nintendo agora investiu em um mercado inovador que nem mesmo a Google conseguiu um tiro tão certeiro. O Pokémon Go, responsável pelo renascimento da marca, foi criado em parceria entre a Nintendo, a Pokémon Company e a Niantic. O mais surpreendente é que o aplicativo, até meados de julho, só estava disponível em três países (Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia), e, mesmo assim, o tempo de permanência no game já superou o de três redes sociais – Instagram, Facebook e WhatsApp. Fora esses países, os que não conseguiram esperar tiveram como alternativa o apkmirror.com: o site recebeu mais de 4 milhões de visitas no dia 6 de julho, um dia após o lançamento do app para Android e iOS. Nesta quarta-feira (13), o app também teve estreia na Europa, na Alemanha.

Apesar da lentidão em ingressar no mundo dos smartphones (a ansiedade é tanta que a hashtag #WeWantPokemonGoInBrazilvirou Trending Topics por dias no Twitter), o jogo de capturar Pokémons já trouxe resultados positivos à Nintendo. O valor de mercado da companhia subiu cerca de US$ 10 bilhões entre a quinta-feira anterior ao lançamento (7 de julho) e a terça-feira (12), da casa dos US$ 20 bilhões para perto de US$ 30 bilhões. Só na segunda-feira do lançamento, dia 11, as ações da companhia se valorizaram 25%, a maior alta da empresa em 33 anos. O aplicativo resultou em lucro de US$ 14 milhões em poucos dias, segundo a SuperData, empresa de análise do mercado de videogames. Boa parte dos jogadores integra uma multidão de adultos saudosos que eram crianças ou adolescentes nos anos 1990 e acompanharam o desenho animado. Agora, passam boa parte do tempo vidrados na telinha do celular. A sacada da Nintendo foi justamente essa: unir o know-how de tecnologia da Niantic – responsável pela criação do Ingress, game para Android que já usava os recursos de realidade aumentada – com o capital nostálgico que a Nintendo é capaz de levantar.

O Pokémon Go tem atraído os jogadores para pontos turísticos e inusitados nas cidades em que está disponível. Usuários compartilharam paisagens reveladas por meio do aplicativo, com o intuito de atrair o jogador em pokéstops (locais onde jogadores podem adquirir itens, abastecer suas pokébolas e travar batalhas para capturar novas criaturas), por exemplo. “Queria que as pessoas parassem para olhar à volta, com uma nova perspectiva sobre os lugares que passavam diariamente”, revelou o fundador da Niantic John Hanke em 2014.

O boom de jogadores tem incentivado outros tipos de iniciativa de empresários, como as da cafeteria Huge, em Atlanta, nos Estados Unidos. Além de ser localizada entre pokéstops, o estabelecimento instalou um módulo chamado “lure”, que funciona como uma isca para atrair Pokémons ao estabelecimento e, consequentemente, mais jogadores consumidores. O jogo induziu também iniciativas particulares, como a de uma jovem de 24 anos, em Nova York, que criou um perfil para divulgar seu trabalho como treinadora profissional de Pokémon Go. O objetivo é turbinar o perfil do usuário que contrata o serviço, com a promessa de torná-lo mais hábil, melhor estrategista e capturar mais monstrinhos lutadores digitais.

VIA

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