Nova minissérie da Rede Globo traz formato inovador e trama densa para a TV aberta

Você já deve ter ouvido falar de Justiça, a nova minissérie da Rede Globo que já está fazendo barulho por aí por conta de seu excelente elenco e de sua trama pesada. Pois saiba que além das doses cavalares de dramaticidade e polêmica da trama (como eutanásia, racismo e assassinato), a série ainda vai chamar mais atenção pelo seu formato.

A trama, que contará com quatro protagonistas, irá contar a cada dia da semana a história de um deles. Segunda, terça, quinta e sexta a série será exibida, a cada dia focando em uma destas pessoas que busca por justiça enquanto as outras serão apenas coadjuvantes.

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O jornalista Nilson Xavier explica bem em seu blog como a coisa vai funcionar:

A cada dia da semana, “Justiça” conta uma história diferente em que um personagem é condenado a sete anos de prisão e tem sua vida transformada ao sair da cadeia: Vicente (Jesuíta Barbosa) às segundas-feiras, Fátima (Adriana Esteves) às terças, Rose (Jéssica Ellen) às quintas e Maurício (Cauã Reymond) às sextas (quarta-feira o programa não será exibido). No total, serão 20 capítulos em cinco semanas.

E as histórias desses personagens se cruzam: Fátima, a protagonista das terças, trabalha como doméstica na casa de Elisa (Débora Bloch), cuja filha foi assassinada por Vicente – a trama das segundas. Ou seja, Fátima também aparece às segundas como coadjuvante, ou figurante, ou uma personagem sem importância. E ainda pode aparecer nos outros dias (pode simplesmente surgir no fundo de alguma cena), já que, em algum momento, ela poderá se relacionar com personagens das outras histórias. E esses cruzamentos serão importantes para as histórias dos outros dias. Exemplo hipotético: às segundas, numa cena corriqueira na trama de Vicente, Fátima poderá dar uma dica para o público de algo a respeito de sua história (a da terça). E o mais sensacional: o telespectador vai rever aquela cena no dia seguinte, mas sob o ângulo de Fátima, já que a trama principal agora é a dela e o núcleo de Vicente ficou em segundo plano.

A autora Manuela Dias e o diretor artístico José Luiz Villamarim propõe ao público um exercício de atenção e percepção – diferente da reiteração das novelas, em que o telespectador recebe a mesma história repetida e mastigada todos os dias.

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“A ideia é fazer do formato um atrativo e não uma dificuldade. A cada dia, a cada cena conjunta que une personagens das quatro tramas, o público vai ganhar um presente: uma mesma situação será vista por vários pontos de vista. E a cada repetição de cena, o público vai perceber algum detalhe novo”, explicou Villamarim (também diretor das novelas “Avenida Brasil” e “O Rebu” e das minisséries “O Canto da Sereia” e “Amores Roubados“).

A justiça a que se refere a minissérie não é a formal, legal, com julgamento ou tribunal. “Justiça” trata da visão pessoal e subjetiva do tema, abordando perdão, vingança e arrependimento. Vicente matou a namorada e cumpriu sua pena. Mas, para a mãe da vítima, a justiça seria realmente feita se ele também morresse. Fátima é vítima: foi presa portando drogas através da armação de um policial mau caráter. A prisão injusta desestruturou sua família. Rose foi pega com drogas juntamente com sua melhor amiga, Débora (Luísa Arraes). Acabou condenada porque era negra e pobre, diferente de Débora, branca e rica, que foi liberada. Maurício foi preso porque cometeu eutanásia contra a mulher, vítima de um acidente que a deixou tetraplégica. Mas ele acatou a um pedido dela, para abreviar seu sofrimento. Ao sair da cadeia, ele vai se vingar do homem que atropelou sua esposa sem prestar-lhe socorro.

A cada dia, essas histórias são narradas sob o ponto de vista de seus protagonistas. Entretanto, ao cruzarem com personagens dos outros dias, essas visões ganham novas perspectivas, porque serão vistas posteriormente sob o ponto de vista de outros personagens. Elisa (Débora Bloch) é patroa de Fátima, a doméstica simplória que tem seu caminho tranquilo transformado pelo policial Douglas (Enrique Diaz). Ele é o policial preconceituoso que prende Rose, sob a acusação de tráfico de drogas. Desde antes da prisão que mudou radicalmente sua vida, Rose namora Celso (Vladimir Brichta), dono de um quiosque e sócio de Maurício. Este, por sua vez, trabalha para Euclydes (Luiz Carlos Vasconcellos), que é sócio de Antenor (Antonio Calloni), o homem que, em fuga, atropela a esposa de Maurício, Beatriz (Marjorie Estiano), deixando-a tetraplégica. Euclydes é pai de Vicente, que, num ataque de ciúmes, matou a noiva, Isabela (Marina Ruy Barbosa), filha de Elisa.

Justiça estreia após as Olimpíadas. Confira o comercial abaixo:

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