Dezessete anos se passaram desde que A Bruxa de Blair estreou nos cinemas e fez história. Fez história como um dos filmes mais originais e assustadores dos últimos anos (até hoje) e fez história por criar um novo gênero no cinema: o dos filmes found footage, hoje espremido até a última gota de suco (e de originalidade) ser extraída.
De lá pra cá muito mudou, mas uma coisa continua igual: o medo. Pode ser que o medo da violência, por exemplo, tenha aumentado (ponto para Uma Noite de Crime), mas o medo do desconhecido continua lá, firme e forte dentro de cada um de nós. E era justamente o desconhecido o grande trunfo de A Bruxa de Blair. Ao não mostrar nada, o filme conseguia ser mais assustador que muitos outros que mostravam demais. Ao não explicar, o filme deixava o medo no ar. E foi assim que se tornou um novo clássico do cinema até hoje aterrorizante e que não parece em momento nenhum datado.
Mas eis que depois de uma sequência massacrada pela crítica (que nem é tão ruim assim) em 2000, resolveu-se que estava na hora de trazer o filme aos cinemas novamente. Ponto negativo para a ideia, que pegou um longa completamente original e colocou-o no balaio de sequências que invadem o cinema atual.
O filme é ruim? Não. Ainda é melhor que muita coisa que o cinema de terror tem feito atualmente. Mas era necessário ou será tão marcante quanto o primeiro? Claramente não.
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Bruxa de Blair chega aos cinemas 17 anos depois do primeiro longa e se propõe a contar a história do irmão da protagonista de 1999, Heather, ao redor do desaparecimento. James então vai com amigos à malfadada floresta onde tudo aconteceu. E, claro, tudo poderá acontecer novamente.
O novo longa é muito mais um “remake atualizado” do original que uma sequência. É o mesmo cenário, os personagens são semelhantes, as situações e inclusive os sustos são semelhantes. O que difere, além dos atores, é que desta vez o filme se data e, em dois ou três anos poderá ser considerado obsoleto. Se em 1999 tudo o que os personagens tinham eram câmeras de mão, agora são câmeras auriculares, drones, celulares e controles remotos que colocam tanta tecnologia em tela quanto sustos. Claro que no final tudo terá sido em vão e só terá servido para “registrar” os fatos, mas isso não deixa de ser algo a se perceber.
Se A Bruxa de Blair foi um marco, é natural que ainda esteja bem vívido na memória dos fãs. E é natural que sua(s) sequência(s) não seja(m) tão eficiente(s). Mas se deixarmos de lado o fato deste novo filme não ter a genialidade do primeiro, conseguimos nos divertir, levar sustos e até mesmo ficar com medo durante a história, que desta vez mostra um pouco mais, mas ainda assim deixa boa parte para nossa imaginação.
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