Resenha do site – Kubo e as Cordas Mágicas

kubo-posterDe dois em dois anos um pequeno estúdio nos presenteia com histórias maravilhosas e levemente macabras. Indo contra a corrente, este pequeno Davi produz à mão animações de um primor técnico impressionante e com roteiros originais e que fogem às regras impostas pelo poderoso gigante Golias de Hollywood.

Sem princesas, sem gritaria e sem canções, a Laika produz em suas animações de “massinha” novos clássicos do cinema do gênero e se firma, lançamento após lançamento, como um dos grandes nomes.

Sua primeira produção, o curta Moongirl, é de 2005. De lá pra cá foram quatro filmes: Coraline (2009), ParaNorman (2012), Os Boxtrolls (2014) – todos indicados ao Oscar – e, neste ano, Kubo e as Cordas Mágicas. Todos ao custo de U$60 milhões e até aqui, todos rendendo o dobro ou mais de bilheteria mundial. (apenas para se fazer uma comparação: Frozen, da Disney, feita inteiramente no computador, custou U$150 milhões)

Se Coraline era encantador, ParaNorman era assustador – mas não muito, e Os Boxtrolls tinha uma linda lição sobre a diversidade, tudo isso está unido em Kubo. E elevado à milésima potência.

Kubo é um menino que vive com a mãe em uma caverna de um pequeno vilarejo no Japão. Possuidor de poderes mágicos, o garoto vive de contar histórias através de seus origamis que ganham vida e é protegido pela mãe dos males que a família lhes causou no passado e promete causar novamente caso o encontre. Kubo tem somente um olho. contou-lhe a mãe que seu próprio avô roubou o outro e que, se encontrá-lo, roubará também o que restou.

É uma história de magia e família. De poderes e perdão. Kubo é um garoto esperto, inteligente e hábil e, em questão de minutos, nosso coração é conquistado por ele e por aquela história com ritmo próprio, calmo e tranquilo. A Macaca e o Besouro que o acompanham em sua jornada trazem o contraponto do humor e da sabedoria e, aos poucos, compramos a ideia daquela família mágica e, sem perceber, estamos dentro dela. Torcendo, rindo e, não raro, se emocionando.

Mas de nada adianta falar da história que, sim, é absurdamente original e impactante. Desde os primeiros minutos não é o garoto ou sua história que nos tomam por completo. É o visual estonteante da animação que nos deixa de queixo caído cena após cena, perigo após perigo. É difícil acreditar que o filme foi realmente feito “à mão” (e foi). suas planícies cobertas de neve, o lago, os céus, o barco de folhas, as batalhas de espada, os origamis que se dobram e desdobram no ar… é tudo tão incrivelmente arrebatador que transforma Kubo em um filme único. Você jamais viu algo como ele no cinema.

Com mensagens e visual menos infantis do que a maioria das animações, Kubo e as Cordas Mágicas é um alívio num cinema tomado por reboots, remakes e sequências. A história do menino que foge de um perigo que não entende traz boas surpresas, lágrimas aos olhos e cenas de um visual espetacular. Você simplesmente não sabe o que esperar a seguir e fica cada vez querendo mais. A ponto de sentir uma pontadinha de tristeza quando percebe que o filme se aproxima de seu final.

Aliás, Kubo não tem um final feliz. Não da maneira tradicional, pelo menos. Mas, seguindo a tradição dos estúdios Laika, ao exaltar o diferente e incomum, o filme traz o seu final feliz justamente de forma diferente. Provando que, felicidade (assim como um bom filme) pode vir às vezes de onde menos se espera. E a satisfação que este filme nos traz, meus amigos, é algo raramente sentido em qualquer final tradicionalmente feliz de Hollywood. Nos sentimos de alma lavada, saindo do cinema com um sorriso no rosto (e, novamente, lágrimas nos olhos) certos de que presenciamos não apenas uma linda e emocionante história, mas a construção e a apresentação de uma obra-prima.

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