#PostTostines – Propagandas de cerveja no Brasil: são imbecis porque vendem ou vendem porque são imbecis?

Todo mundo se lembra da pergunta Tostines né? “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”

Ok, talvez você não tenha idade suficiente pra lembrar, mas essencialmente era isso: uma pergunta que trazia outra e uma dúvida. Vamos propor então uma NOVA pergunta Tostines (e vamos tentar propor outras de quando em quando):

Sobre as propagandas de cerveja no Brasil: são imbecis porque isso VENDE cerveja ou VENDEM cerveja justamente porque são imbecis?

Não precisa ir muito longe pra pensar: a inacreditavelmente estúpida propaganda das bolas da Kaiser, ou a “trago mulher seminua então tá valendo” da Itaipava. Ou ainda a Skol querendo ser politicamente correta e dizendo que o “verão não tem preconceitos” mas trazendo uma propaganda só com gente magra e heterossexual.

Por que isso acontece no Brasil? Vejamos as propagandas da Heineken (a mais recente tem Benicio del Toro em um bar, todo mundo vestido, nenhuma piadinha imbecil) ou da Bud (a atual criticando a política anti-imigração de Trump). Propagandas assim não funcionariam no Brasil? Aparentemente não. A Skol é a marca de cerveja mais vendida no país. Mas será por causa da propaganda ou do preço?

Aí já entramos em outro mérito: a maioria das marcas de cerveja no Brasil é basicamente suco de milho com álcool. Sim, segundo um estudo da USP de 2014, a cerveja brasileira tem 45% de milho ao invés de cevada. Pela legislação o máximo permitido é de 50%. Na Alemanha, terra do chopp e da cerveja, não é permitido colocar nada na cerveja a não ser água e cevada. O que isso quer dizer na prática? Bom, o milho é cerca de 30% mais barato que a cevada. E isso, claro, se reflete no preço do produto. Aí vem a questão: brasileiro bebe cerveja pelo sabor ou só pra ficar bêbado mesmo?

Algumas das cervejas brasileiras feitas com milho: Antarctica, Bohemia, Brahma, Skol, Schin e Kaiser.

A Heineken, puro malte, custa cerca de R$1,00 a mais por latinha. O que em um churras de final de semana pode se refletir em bons R$50,00 a mais no orçamento. Depende do que se pretende.

Mas voltemos às propagandas. Com frequência  a gente pode se perguntar o que passa na cabeça de um publicitário que cria as propagandas de cerveja ou da pessoa que aprova aquilo. O exemplo mais recente é a propaganda das bolas da Kaiser. Sério mesmo que alguém deixou aquilo ser veiculado? Que alguém APROVOU aquilo? Além de todas as implicações sexuais (e de dizer bem claramente que homem é burro e “pensa com as bolas”) a propaganda é explícita: só homem bebe cerveja. Consultamos alguns de nossos amigos e amigas para ver o que acham:

Acho que está mais do que na hora das empresas de publicidade nacionais acordarem para a nova realidade de mercado. Cada vez as mulheres bebem mais cerveja, inclusive as consideradas especiais, por sua vez, mais caras. As marcas “importadas” já trazem uma comunicação mais sofisticada e diferenciada e creio que isso impacta muito na aceitação maior do publico feminino sim. Não sei pq ainda se insiste tanto no triangulo de praia, samba e biquini. Não entendo como isso ainda converte… E se homem realmente precisar desse mix pra se convencer a tomar uma cerveja de determinada marca… Estamos bem mal.

Carolina – Curitiba

Claro que a propaganda influencia. É marketing. As cenas se instalam automaticamente no subconsciente. Preço nem falar né? Muito caro e qualidade péssima. E o cidadão chega no bar ou onde quer que seja se achando o protagonista do comercial. Que vai ficar rodeado de mulheres e sorrir a noite toda. Mas a verdade não é bem essa né? São inúmeras as propagandas acusadas de incentivar a cultura do estupro ou de objetificar a mulher. Quem não se lembra da campanha do “Esqueci o não em casa” da Skol que dava a entender que por mais que a mulher dissesse NÃO, na verdade tava tudo bem agarra assim mesmo?

Rogério – tatuador- Rosas (Espanha)

Acho as propagandas de cerveja com mulheres bastante apelativas, porém sou mulher. Quando não tem mulher na propaganda elas são muito criativas mas não me influenciam na compra. O sabor é que determina a minha compra. Quando tem algo novo procuro me informar principalmente através da Internet e se as informações estiverem de encontro ao meu gosto eu provo. Do contrário não.

Fabiana – professora – Curitiba

No mundo moderno em que vivemos é inadmissível que as marcas de cerveja ainda tenham em mente que as mulheres devam ser “servidas” quase da mesma forma como o seu produto. Se esquecem que a maioria da população hoje é feminina e grande consumidora de cerveja. Logo, não seria mais coerente colocar meninos e meninas se divertindo e bebendo juntos, de igual para igual?! Porque devemos continuar com esse estereótipo? Nos vendem um mundo tão moderno mas desde que comandado por cabeças machistas!!! Tá na hora de mudar!!!

Margareth – advogada – Curitiba

Eu vou pela qualidade, até porque não costumo tomar essas cervejas de propagandas, prefiro gastar um pouco mais com cervejas mais elaboradas.

Fernando – Curitiba

Não precisa ir muito longe: coloque “propaganda de cerveja” no Google images:

1.jpg

Daí a gente se pergunta: funciona? Bom, a hashtag #falanalata da campanha da Kaiser tem, até agora, menos de 300 fotos no Instagram. Ótima maneira de se medir popularidade atualmente, a tag é cheia de fotos de blogueiros e ~digital influencers~ que não influenciam em nada, com camisetas da campanha em posts claramente patrocinados.

Em tempos de politicamente correto, de prezar por qualidade, ainda vemos campanhas estúpidas sendo veiculadas e o preço sobressaindo à qualidade. Fica bastante claro que, para quem cria as campanhas de cerveja no Brasil, só homem consome a bebida e a mulher só está lá para ser objeto sexual mesmo. Ou dona de casa (como deixa claro esta campanha da Itaipava aqui embaixo):

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Um pensamento sobre “#PostTostines – Propagandas de cerveja no Brasil: são imbecis porque vendem ou vendem porque são imbecis?

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