Resenha do site – Dunkirk

poster dunkirkSe você quer ver um filme certinho, linear, com uma história fácil de seguir e simples, não assista a um filme do diretor Christopher Nolan.

Assim como Michael Bay foge de um bom roteiro e Dwayne Johnson das aulas e interpretação, Nolan corre longe de histórias contadas de forma ordinária. Mas nem por isso deixa a desejar quando conta suas histórias.

Desde Amnésia, nenhum filme do diretor possui uma narrativa linear. Talvez os mais “comuns” sejam os da trilogia Cavaleiro das Trevas, mas afora isso, seus filmes beiram o ininteligível. Há quem nunca tenha entendido o próprio Amnésia ou Interestelar, e não dá pra culpar. Linhas temporais misturadas, histórias intercaladas, personagens que não são quem dizem ser, sonhos, devaneios, mentiras. Tudo contribui para as excepcionais narrativas de Nolan que, com frequência assina também o roteiro de seus longas.

Dunkirk é mais um exemplo de um “Nolan” em sua mais pura essência. Estão ali a fotografia descomunal em IMAX, a história desestruturada e de difícil compreensão, seus atores dando o máximo de si artística e fisicamente, a trilha sonora espetacular que se confunde o tempo todo com os sons ambientes, a câmera nervosa que coloca o espectador dentro da cena. Em suma: trata-se de um filme nada menos que excepcional.

A história do longa gira em torno do resgate de 400.000 soldados ingleses isolados na cidade de Dunkirk às margens do Canal da Mancha durante a Segunda Guerra Mundial e é contada em três tempos: na praia, o período do filme é de uma semana. É ali que estão os soldados a serem resgatados. No mar, o período é de um dia, ali estão os barcos civis que irão auxiliar no resgate. E no ar, o tempo é de uma hora e ali se encontram os pilotos que enfrentarão os caças alemães para tornar o resgate possível. Mas não se engane que é somente disso que é feito o filme.

Como não poderia deixar de ser, Dunkirk é feito de pessoas. Na terra, o soldado Tommy (Fionn Whitehead) faz de tudo para conseguir ser resgatado e levado de volta para casa. No mar, o marinheiro Dawson (Mark Rylance) fará o impossível para chegar à praia e encher seu pequeno barco de soldados. E no ar, o piloto Farrier (Tom Hardy) está disposto a dar a própria vida para impedir que os aviões alemães bombardeiem os soldados e os barcos.

São personagens fortes e marcantes num “mar” de gente que a princípio parecem todos iguais. Mas Nolan rege sua ópera com maestria em um filme feito de silêncios. Mesmo os personagens “secundários” têm uma presença marcante em cena, como os interpretados por Cillian Murphy, Kenneth Brannagh ou James D’Arcy. O que só faz marcar ainda mais as características de um legítimo “Nolan”. Estão ali até seus atores preferidos de outros filmes seus, como Hardy, Murphy e até Michael Caine (numa ponta sonora quase imperceptível).

É bem verdade que a história real de Dunkirk é pouco conhecida para nós. E que o longa pode ser visto apenas como “mais um filme de guerra”. Mas, acima disso, Dunkirk é um filme magistralmente bem construído. Não é exagero dizer que você nunca viu um filme de guerra como este e que, se não for pelas linhas temporais que se misturam de forma intrincada, será pelas milhares de vidas perdidas, mas você vai sair do cinema pensando no que viu na tela. Não há como não se sentir extasiado ao ver aquelas imagens e aquelas pessoas. E, enquanto isso, Christopher Nolan garante para si mais uma obra elogiadíssima pela crítica e fortemente candidata às premiações do cinema no ano que vem (entenda indicações a Oscar de melhor filme, direção, edição, fotografia e edição de som, pelo menos).

Notas dos filmes de Christopher Nolan no IMDB:

  • Amnésia (2000) – 8,5
  • Insônia (2002) – 7,2
  • Batman Begins (2005) – 8,3
  • O Grande Truque (2006) – 8,5
  • O Cavaleiro das Trevas (2008) – 9,0
  • A Origem (2010) – 8,8
  • O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012) – 8,5
  • Interestelar (2014) – 8,6
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2 pensamentos sobre “Resenha do site – Dunkirk

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