#novamusica – Grandfúria

Baseado nos livros “O Tempo e o Vento – O Continente” I e II de Érico Veríssimo, veio o novo álbum de Grandfúria, intitulado “O Sopro e o Momento”. Em um trabalho colaborativo, os seis integrantes dedicaram-se durante dois anos à produção do disco, entre composições e gravações.

Original e autêntico, a banda juntou instrumentos típicos da música folclórica gaúcha, como acordeon, bombo leguero e violão, com a energia das guitarras. “Procuramos fazer um álbum conceitual que não fosse chato, trabalhando bastante a dinâmica e alternando músicas enérgicas/pesadas com faixas suaves/acústicas, através de melodias fáceis, muitos refrãos pop e a característica nativa”, contam.

O conceito ao qual “O Sopro e o Vento” foi dedicado é reforçado no encarte que foi auxiliado pelo designer Maurício Cescon.” Exploramos os elementos folclóricos do Rio Grande do Sul, desde a paleta de cores – mais direcionada ao conceito de terra – até as imagens representativas de personagens que aparecem nas canções. Utilizamos até mesmo legendas para identificar o astral de cada música e tornar o encarte interativo para quem estiver curtindo o trabalho”.

As onze faixas autorais que compõem o álbum contam a história cronológica da obra “O Tempo e o Vento”, através de uma livre adaptação criada pela banda, sob o ponto de vista representativo dos próprios personagens do livro nas letras. No entanto, o disco funciona também como um pop tradicional, sem depender da obra de Veríssimo para fazer sentido ao ouvinte, visto que todas as referências ao livro são subjetivas.

“Tanta Cólera” abre o disco com uma mistura milonga com rock e influências vocais de R’N’B. Fala sobre uma terra construída com base no derramamento de sangue. A canção é seguida por “Santa Fé”, que conta sobre a personagem Ana Terra, uma das grandes mulheres protagonistas da literatura nacional. A música possui uma grande viagem introspectiva em sua construção, embalada por acordeon.

A chegada do Capitão Rodrigo Cambará à cidade de Santa Fé e o fascínio contagiante que sua personalidade causa nos habitantes é retratada por “Buenas, com influências de funk rock e música progressiva. “R” segue em uma levada mais agressiva, com vocais pop, e sendo uma composição negativa que conta sobre o momento em que Capitão Rodrigo escreve a letra “R” na cara de Bento Amaral em um duelo.

A música mais pop do trabalho, “O Viajante”, é acústica e profunda, com uma linha melódica próxima ao reggae, mas com as pontuações características da Grandfúria, e uma grande harmonia entre gaita e piano.

Inspirada na Revolução Farroupilha, ”Cada Pedaço” trata sobre a morte do Capitão Rodrigo na guerra, misturando o estilo típico do chamamé com uma grande viagem instrumental. “O Espanto e a Fúria”, altamente progressiva, contém quatro momentos: o primeiro, caracterizado pelo sintetizador; o segundo, tomado por influências folclóricas; o terceiro, quando a música se tranforma a ponto de chegar próxima ao metal; e o quarto, um chamamé vitorioso e dançante.

Seguindo a linha progressiva da anterior ,”Tormenta” é uma das canções pesadas do álbum e possui uma “payada” (declamação típica das músicas nativas do sul). Levada por uma batida pop com um rock cantado por muitos coros, a faixa posterior, “A La Cria” é a narração de Bento Amaral em um pensamento vingativo.

Em preparação para o final, “Ataque Ao Sobrado” ganhou, com sua mistura de psicodelia e influências gaúchas e post hardcore, o mérito de ser uma das 50 músicas mais tocadas no Spotify Brasil em seu primeiro mês de lançamento. Escolhida como primeiro single deste álbum, foi uma confirmação de caminho certo para a banda.

“Fantasma” é a última e mais extensa música do álbum, refletindo sobre a morte enquanto rito de passagem, com um solo de teclado profundo e lisérgico, encerrando “O Sopro e o Momento”.

Gravado no estúdio Noise, em Caxias do Sul – RS, o disco conta com a produção de Carlos Balbinot e masterização de Fabrício Zanco. Nas participações especiais, conta com Tomás Savaris (violão), Marlon Castilhos (percussão), além de Jorge Valmini e Helena Pezzi (vozes).

Como parte integrante do conceito do novo álbum “O Sopro e o Momento”, a Grandfúria realiza uma turnê de promoção pelo Rio Grande do Sul, além de preparar um documentário especial sobre o processo de composição do disco, curiosidades e bastidores das gravações. Também está previsto um videoclipe e sessões de performance ao vivo das canções.

Sobre Grandfúria 

A Grandfúria une influências diversas, entre rock alternativo, a música nativa rio-grandense, o pop clássico e a música ambiente. A banda usa instrumentos acústicos (como bombo leguero, percussão, violão e acordeão) e elétricos (guitarra, contrabaixo e sintetizadores), com a proposta de realizar uma fusão de estilos contemporâneos, contando com a presença marcante da identidade gaúcha.

Originada em Caxias do Sul (RS), a Grandfúria é um sexteto composto por Vinícius Augusto de Lima (voz, violão e guitarra), Maurício Pezzi (sintetizador e voz), Maurício Romani Gomes (bateria e percussão), Bruno Pinheiro Machado (guitarra e voz), Tiago Perini (baixo e voz) e Diego Viecelli de Oliveira (gaita).

A banda já lançou dois EP’s em 2012 e 2013, sendo posteriormente relançados em um álbum homônimo de 2014. Também houve a disponibilização de um compacto digital feito em 2016.

Já, em 2017, após dois anos de concepção e gravação, o grupo está realizando o lançamento de seu mais novo trabalho: “O Sopro e o Momento”, um disco conceitual completamente inspirado na obra literária “O Tempo e o Vento”, de Erico Veríssimo.

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