Entrevistamos Renato Luciano, autor da incrível ‘De Toda Cor’

Dia desses, assistindo à novela A Força do Querer, conhecemos a história de Ivana. O retrato da garota que se descobre trans nos chamou a atenção, e resolvemos acompanhar. Ficamos admirados coma  emoção e a verdade com que a jovem atriz Carol Duarte está interpretando sua personagem na novela de Glória Perez. E enquanto víamos uma das cenas de Ivana, prestamos atenção em uma música…

Ivana (Carol Duarte) se descobriu trans na novela e vai passar por uma transformação

Passarinho de toda cor, gente de toda cor, amarelo, rosa e azul, me aceita como eu sou…” Que versos eram aqueles? Que voz era aquela? Fomos atrás e descobrimos talvez a melhor música brasileira de 2017: ‘De Toda Cor’, de Renato Luciano.

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Mas precisávamos de mais, precisávamos saber quem era aquele moço. Aquele moço que além de fazer uma música incrível pôs pra cantar junto gente como Ney Matogrosso e Paulinho Moska. E, muito fuças que somos, fomos lá e entrevistamos o rapaz! Além de convidá-lo pra cantar em Curitiba, é claro.

Leia outras entrevistas do Pausa Dramática

Veja abaixo o LINDO clipe de ‘De Toda Cor’ e leia nossa entrevista com o cantor. Lá no final tem ainda o disco dele inteirinho no Spotify pra você ouvir 😉

Pausa Dramática: Você morava no interior de Minas e foi pro Rio, como isso impactou em suas músicas e em seu relacionamento com gravações e na carreira em geral?

Renato Luciano: O choque cultural é grande. Visconde do Rio Branco é uma cidade pequena e a única referência que eu tinha sobre o rio era a tv e os telejornais e embora a cidade seja violenta, acho que eles enfatizam e vendem o lado violento da cidade. Eu morria de medo do Rio. Com o tempo fui aprendendo a amar.

A música brasileira vive hoje um momento único de abraço às pessoas e causas LGBT e sua música ‘De Toda Cor’ fala muito sobre respeito e diversidade. Como você vê esse movimento? Acha que faz parte dele?

Nos últimos tempos com esses conflitos políticos no Brasil e no mundo as pessoas perderam o pudor de dizerem o que pensam. Eu vi coisas chocantes circulando pelos meios de comunicação e internet e quando você acredita viver numa sociedade mais evoluída, você se depara com discursos nazistas; com ataques aos artistas; a população LGBT… Tive muito receio de colocar minha opinião porque os ânimos estão esquentados, mas concluí que devia dizer. Acho a arte é um meio incrível de transformação. A população LGBT, os negros, os pobres, os deficientes físicos ainda são parte excluída da sociedade.  Chamem isso do que quiser. Movimento? Não sei. Estarei sempre deste do lado.

Falando sobre a música, como o fato dela fazer parte de uma novela e de uma personagem com tanta exposição e importância se refletiu em sua carreira?

É um presente. É muito bonito perceber que a personagem; a novela e música estão ajudando a esclarecer questões muito atuais e importantes. Fico feliz de saber que minha canção faz parte disso. Recebo mensagens tocantes de toda parte do Brasil. Esse alcance nacional veio certamente depois de “A força do querer”.

Como foi pra você gravar com nomes consagrados como Ney Matogrosso, Paulinho Moska e Pedro Luís?

São meus ídolos. Sempre tive uma admiração profunda por todos os artistas que gravaram a “De toda cor”. Poder estar perto aprendendo e ter a voz deles na minha canção é demais. É muito precioso tê-los por perto.

Você tem um álbum e um EP em streaming com diversas músicas, inclusive com influências eletrônicas. Como você enxerga a música pop no Brasil de forma geral, aquela música pop que não se atrela a outros gêneros (como funk ou sertanejo) e é tão pouco representada

A internet e a tecnologia de modo geral, possibilitou a democratização da arte. Isso é bonito demais, porque está sendo produzido todo tipo de música e com muita qualidade. Tenho escutado muito um grupo Paulista chamado O terno, mas não gostaria de rotular o som dos caras. Escuto muito Mauricio Pereira também. Acho que esses caras fazem um som que é também pop além de outras coisas. É difícil rotular. Mas não tenho absolutamente nada contra nenhum tipo de música. Convidei um cantor sertanejo que gosto muito para cantar o “De toda cor” chama-se Léo Pinheiro.

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