Resenha do site – Atômica

atomicaIngredientes: muita luz neon; música new wave capaz de fazer brotar ombreiras no seu casaco; tiro, porrada e bomba à vontade; algumas colheres de edição frenética; uma protagonista deslumbrante e letal. Misture bem e leve para assar a -15 graus.

Esta é a receita de Atômica, um filme surpreendente do início ao fim.

Charlize Theron (Monster, Mad Max: Estrada da Fúria) é Lorraine Broughton, uma agente americana infiltrada na Alemanha pré-queda do muro de Berlin. Ou pode ser que não. Pode ser que ela trabalhe para o governo alemão. Ou inglês…

O caso é que Lorraine é linda, boa de briga e inteligentíssima. Sua protagonista não faz inveja aos espiões de John Le Carré ou mesmo a Jason Bourne (utilizado desnecessariamente nos cartazes brasileiros como comparação para chamar público) ou James Bond e distribui socos, tiros e pontapés entre um olhar 43 e outro. Ao seu lado, James McAvoy (Fragmentado, X-Men) é David Percival, um agente americano infiltrado na Alemanha. Ou não. Em filme de espionagem a gente nunca pode acreditar nos personagens e ninguém é o que parece ser até que subam os créditos.

Bebendo da fonte anárquica de KingsmanAtômica é baseado na HQ (e que filme hoje em dia não é?) The Coldest City de Anthony Johnston e se passa na década de 80 (e que filme hoje não se passa?). Mas por mais que seu período e sua fonte não sejam das mais originais, trata-se de um filme incrível e de tirar o fôlego. Não que a gente nunca tenha visto essa história antes: espião americano em outro país para descobrir segredos e todo esse bla-bla-bla. O que importa aqui, é COMO ela é contada.

Embalada em músicas de bandas clássicas dos anos 80 como New Order, Duran Duran, Queen, Depeche Mode e The Cure (mas fugindo das obviedades) e com um visual estonteante, a saga de Lorraine pelas Alemanhas Oriental e Ocidental ganha um fôlego inesperado. A câmera do diretor David Leitch (que vai assinar Deadppool 2) dá piruetas e se enfia no meio da briga de maneira inacreditável, ficando no caminho de balas e se sujando de sangue. Não é exagero dizer que poucas vezes você viu cenas de brigas e tiros como as mostradas em Atômica, especialmente na segunda metade do filme. E também não é exagero dizer que você nunca, nunca mesmo ouviu Father Figure de George Michael da forma como ela é tocada aqui. E que nunca mais vai ouvi-la da mesma forma depois.

Com uma edição “escondida” que deixaria Hitchcock orgulhoso, Atômica flui leve e divertido ao longo de suas quase duas horas. O talento de seus protagonistas fica visível a cada cena em que é possível perceber como ambos estão se divertindo com o filme. Por mais que boa parte do público-alvo sequer saiba que o muro de Berlin existiu (e que a Alemanha era dividida em duas até 1989) ou conheça aquelas músicas e bandas, ou ainda vá ao cinema para vero corpo nu de Theron (e neste sentido é bem recompensado), Atômica é um dos melhores filmes do ano até aqui. Boa história, boa direção, ótima direção de arte, excelente edição, atores incríveis, trilha sonora espetacular… ingredientes para um filme de espião para entrar pra história do gênero. E não só por ser um dos únicos protagonizados por uma mulher.

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