Primeiras impressões: Inumanos e The Gifted. Ou: por que os X-Men não devem sair das mãos da Fox

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Com a avalanche de séries da Marvel em produção, era só uma questão de tempo para que os X-Men também ganhassem umas suas.

Depois da complexa Legion, que não agradou muito aos fãs, chegou a vez de algo mais teen e pop: The Gifted conta a história de mutantes jovens fugindo das autoridades que querem “cadastrá-los” e até mesmo curá-los. Independente, a série não faz parte do mesmo universo dos filmes dos X-Men, mas traz de lá um detalhe muito importante: o diretor Bryan Singer.

Singer é quem comanda alguns dos melhores filmes dos mutantes, mas curiosamente, não é o diretor do que possui mais semelhanças com The Gifted: X-Men O Confronto Final, de 2006, que trata justamente da cura mutante.

Em tempos de “cura gay” no Brasil, a metáfora de Singer (homossexual assumido) fica cada vez mais evidente no universo X-Men: os diferentes estão sendo caçados e punidos.

Com bons atores jovens e experiente elenco adulto (encabeçado por Jamie Chung, de Once Upon a Time; Stephen Moyer, de True Blood; e Amy Acker, de O Segredo da Cabana), The Gifted se sustenta justamente dos dramas pessoais. Diferente de uma série ou filme da Marvel, a trama dos mutantes é mais concentrada em mostrar seus personagens e conflitos que suas habilidades em salvar o mundo. Assim como nos longas dos X-Men, é fácil se identificar com aquelas pessoas na tela e entender as metáforas colocadas ali para qualquer um que já se sentiu diferente um dia.

Justamente o contrário acontece com Inumanos. A série da Marvel escandalosamente anunciada, que teve seu primeiro episódio transmitido em IMAX no mundo todo, é decepcionante desde o primeiro diálogo.

Na primeira fala ficam claros os defeitos de roteiro, as conversas absurdamente artificiais e já conseguimos ter uma amostra das interpretações que virão pela frente.

Sofrível seria elogio para definir as atuações de atores como Anson Mount (o “mudo” rei Raio Negro), Serinda Swan (a rainha Medusa) ou mesmo Iwan Rhen, vindo de Game of Thrones. Com um texto risível e uma direção que faria vergonha às peças de escola, Inumanos não consegue ser nada menos que constrangedor.

Se você tem alguma paixão pelas histórias e personagens da Marvel nos cinemas e em séries como Agents of SHIELD, Jessica Jones ou DareDevil passe longe de Inumanos. Seus efeitos especiais fariam a equipe técnica de Once Upon a Time (com efeitos declaradamente ruins) correr milhas.

Além de não existir a menor conexão com o público, uma trama supostamente shakespeariana (supondo, claro, que os fãs saberão identificá-la) torna tudo mais risível, ao lado de cabelos digitais absurdamente mal feitos e um super-cachorro que faria do Escorpião Rei de Dwayne Johnson em A Múmia 3 uma virtuose do cinema digital.

Se formos comparar os longas dos Vingadores com os dos X-Men, os defeitos e qualidades são semelhantes: X-Men sempre se preocuparam mais com seus personagens, em torná-los pessoas reais, ainda que com habilidades especiais, e isso sempre causou conexão direta com grupos de minorias. Já os Vingadores sempre estiveram mais pro lado da ação e humor. Seus personagens têm a profundidade de um pires, mas na hora da luta não têm medo de partir pra briga e geram cenas de tirar o fôlego (ou de soltar uma piadinha).

Então fica a seu critério: mais emoção ou mais ação?  No que diz respeito à qualidade técnica, The Gifted é inconfundivelmente melhor, mas se o que você quer ver mesmo é tiro, porrada e bomba, Inumanos pode ser sua pedida.

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