ABRACCINE elege “O Menino e o Mundo” como a melhor animação brasileira

“O Menino e o Mundo” de Alê Abreu é a melhor animação brasileira segundo a votação dos membros da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Indicado ao Oscar em 2016 e vencedor o Festival de Annecy em 2014, o filme foi o único citado por todos os votantes que elegeram as cem melhores animações do cinema nacional.

O ranking será a base para um livro no mesmo formato de “100 Melhores Filmes Brasileiros” (2016) e “Documentário Brasileiro – 100 Filmes Essenciais” (2017). “Animação Brasileira – 100 Filmes Essenciais” será lançado em 2018 como parte das comemorações do centenário da animação brasileira e contará novamente com a parceria do Canal Brasil. Um lançamento conjunto com a  Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA) e com o Grupo Editorial Letramento.

“O cinema de animação brasileiro nasceu bem humorado, ágil e como instrumento de contestação no curta “O Kaiser”. Cem anos depois vamos encontrar a animação expandindo em todas as plataformas, ganhando prêmios em festivais e sendo indicada ao Oscar. É muito bom ver essa trajetória agora sendo lembrada num livro que reunirá mais de cem autores, entre eles os principais críticos de cinema e especialistas da animação do país”, diz Arnaldo Galvão, da ABCA.

Além de “O Menino e o Mundo”,  “Uma História de Amor e Fúria” (2013), de Luiz Bolognesi em segundo lugar, também foi vencedor de Annecy. Já o curta-metragem “Meow!” (1981), de Marcos Magalhães, prêmio do júri no Festival de Cannes ficou na terceira posição.

A lista é formada por uma boa variedade de curtas e longas que marcaram a história da animação brasileira, tendo desde “Macaco Feio… Macaco Bonito…”  lançado em 1928 (30ª posição), de João Stamato e Luis Seel, a animação brasileira mais antiga presente no ranking, até filmes de 2017 como “Torre”, de Nádia Mangolini, em 16º e “Vênus – Filó, a Fadinha Lésbica”, de Sávio Leite, em 67º.

“A oportunidade de rever tantos filmes produzidos neste campo nos deu a dimensão da grande importância da animação brasileira, ajudando a entender o caminho traçado até a conquista dos prêmios em Annecy e a indicação ao Oscar. O primeiro lugar de ‘O Menino e o Mundo’ consagra o trabalho de Alê Abreu, mas não podemos nos esquecer de tantos outros nomes fundamentais nesta história, como Marão, Chico Liberato, Walbercy Ribas, Roberto Miller, Arnaldo Galvão, Luiz Sá, Stil, Cao Hamburger, Allan Sieber e Rosaria, entre tantos outros”, declarou Paulo Henrique da Silva, presidente da ABRACCINE.

O levantamento também revelou que o diretor gaúcho Otto Guerra é o principal nome da animação brasileira, com quatro filmes na lista, dois deles entre os dez primeiros: “Até que a Sbórnia nos Separe (2013), codirigido por Ennio Torresan Jr., em quarto lugar; e “Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll” (2006), em nono. Guerra ainda aparece na lista com o curta “Novela” (1992), em 32º, e o longa “Rocky & Hudson, os Caubóis Gays” (1994), em 50º.

Apesar do predomínio de longas entre os dez melhores, o formato de pequena duração é responsável por 83 títulos dos 100 ranqueados, reforçando o papel no fomento da animação em termos de experimentação estética, narrativa e de linguagem.

Compõem a lista também outras obras historicamente importantes, como o primeiro longa animado “Sinfonia Amazônica” (1953), de Anélio Latini Filho, em sexto; o primeiro longa colorido, “Piconzé” (1973), de Ippe Nakashima, em 18º; e “As Aventuras da Turma da Mônica” (1982), 12º colocado, assinado pelo diretor que mais longas animados dirigiu no país: Maurício de Sousa. Do criador de personagens como Mônica, Cebolinha e Cascão também foi listado “A Princesa e o Robô” (1983), 34º posto.

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Uma História de Amor e Fúria

Critérios de votação – A eleição das 100 melhores animações brasileiras é fruto de uma parceria da ABCA com a Abraccine. Num primeiro momento, a associação de animadores escolheu internamente os 100 trabalhos mais representativos de sua história, sem qualquer ordem de preferência no resultado final. Em seguida, a Abraccine montou uma comissão especial para incluir mais alguns títulos, ausentes na lista original, mas que pareciam importantes de serem considerados. A partir dessa lista de 115 títulos, os votantes escolheram os 50 melhores, em ordem de preferência. Os 100 mais bem posicionados compõem o ranking.

O Canal Brasil e a animação – Parceiro da Abraccine no lançamento dos livros “100 Melhores Filmes Brasileiros” (2016) e “Documentário Brasileiro – 100 Filmes Essenciais” (2017), o Canal Brasil exibe curtas e longas dos mais diversos formatos de animação desde seu lançamento, em 1998. Em 2010, a animação ganhou ainda mais destaque na grade do canal com a “Faixa AnimaMundi”, que leva o nome e tem curadoria do mais importante festival de animação das Américas e o segundo maior do mundo do gênero. Toda semana, uma preciosa seleção de filmes mostram o que há de mais belo, moderno e interessante, desvendando as diferentes abordagens da arte animada, suas mais diversas estéticas e formatos de produção.

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Até que a Sbornia nos Separe

RANKING DA ABRACCINE

1. O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu
2. Uma História de Amor e Fúria (2013), de Luiz Bolognesi
3. Meow! (1981), de Marcos Magalhães
4. Até que a Sbórnia nos Separe (2013), de Otto Guerra e Ennio Torresan Jr.
5. Dossiê Rê Bordosa (2008), de Cesar Cabral
6. Sinfonia Amazônica (1953), de Anélio Latini Filho
7. Guida (2014), de Rosana Urbes
8. Boi Aruá (1984), de Chico Liberato
9. Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll (2006), de Otto Guerra
10. Animando (1983), de Marcos Magalhães
11. Frankenstein Punk (1986), de Cao Hamburger e Eliana Fonseca
12. As Aventuras da Turma da Mônica (1982), de Maurício de Sousa
13. Até a China (2015), de Marão
14. Cassiopéia (1996), de Clóvis Vieira
15. O Projeto do meu Pai (2016), de Rosaria
16. Torre (2017), de Nádia Mangolini
17. De janela pro cinema (1999), de Quiá Rodrigues
18. Piconzé (1973), de Ippe Nakashima
19. O Grilo Feliz (2001), de Walbercy Ribas
20. Linear (2012), de Amir Admoni
21. O Dragãozinho Manso: Jonjoca (1942), de Humberto Mauro
22. Castillo y el armado (2014), de Pedro Harres
23. A Garota das Telas (1988), de Cao Hamburger
24. As Aventuras do Avião Vermelho (2012), de Frederico Pinto e José Maia
25. Menina da Chuva (2010), de Rosaria
26. Almas em Chamas (2000), de Arnaldo Galvão
27. Historietas Assombradas (para crianças malcriadas) (2005), de Victor-Hugo Borges
28. Vinil Verde (2004), de Kleber Mendonça Filho
29. As Aventuras de Virgulino (1939), de Luiz Sá
30. Macaco Feio… Macaco Bonito… (1928), de João Stamato e Luis Seel
31. Deus é Pai (1999), de Allan Sieber
32. Novela (1992), de Otto Guerra
33. Amassa que elas gostam (1998), de Fernando Coster
34. A Princesa e o Robô (1983), de Maurício de Sousa
35. Minhocas (2006), de Paolo Conti e Arthur Nunes
36. Eu queria ser um monstro (2009), de Marão
37. The Masp Movie: O Filme do Masp (1986), de Hamilton Zini Jr., Salvador Messina e Sylvio Pinheiro
38. O Divino, De Repente (2009), de Fabio Yamaji
39. O Quebra Cabeça de Tarik (2015), de Maria Leite
40. Adeus (1988), de Céu D’Ellia
41. Ritos de Passagem (2012), de Chico Liberato
42. Quando os Dias Eram Eternos (2016), de Marcus Vinícius Vasconcelos
43. O Átomo Brincalhão (1964), de Roberto Miller
43. O Céu no Andar de Baixo (2010), de Leonardo Cata Preta
45. Vida Maria (2006), de Márcio Ramos
46. Josué e o pé de macaxeira (2009), de Diego Viegas
47. Pudim de Morango (1979), de Ingrid, Rosane, Elizabeth e Helmuth Wagner
48. Furico e Fiofó (2011), de Fernando Miller
49. Graffiti Dança (2013), de Rodrigo EBA!
50. Rocky & Hudson, os Caubóis Gays (1994), de Otto Guerra
51. Jonas e Lisa (1994), de Daniel Schorr e Zabelle Côté
52. Balloons (2007), de Jonas Brandão
53. Calango Lengo – Morte e vida sem ver água (2008), de Fernando Miller
54. Passo (2007), de Alê Abreu
55. Tyger (2006), de Guilherme Marcondes
56. Faroeste: um autêntico western (2013), de Wesley Rodrigues
57. Noturno (1986), de Aída Queiroz
58. Tzubra Tzuma (1983), de Flavio del Carlo
59. Deu no Jornal (2005), de Yanko Del Pino
60. Yansan (2006), de Carlos Eduardo Nogueira
61. Casa de Máquinas (2007), de Daniel Herthel e Maria Leite
62. Hamlet (1975), de José Rubens Siqueira
63. Tempestade (2010), de Cesar Cabral
64. Ballet de Lissajous (1973), de Aluizio Arcela Jr. e José Mário Parrot
65. Até o Sol Raiá (2007), de Fernando Jorge e Leandro Amorim
66. Os Anjos do Meio da Praça (2010), de Alê Camargo e Camila Carrossine
67. Vênus – Filó, a fadinha lésbica (2017), de Sávio Leite
68. Cabeça Papelão (2004), de Quiá Rodrigues
69. Balanços e Milkshakes (2010), de Erick Ricco e Fernando Mendes
70. Céu, inferno e outras partes do corpo (2011), de Rodrigo John
71. A Saga da Asa Branca (1979), de Lula Gonzaga de Oliveira
72. Caminho dos Gigantes (2016), de Alois Di Leo
73. O Ex-mágico (2016), de Maurício Nunes e Olímpio Costa
74. Abstrações: Estudos n°. 1 (1960), de Bassano Vaccarini e Rubens F. Lucchetti
75. AmigãoZão (2005), de Andrés Lieban
76. Castelos de Vento (1998), de Tania Anaya
77. Dia Estrelado (2011), de Nara Normande
78. Planeta Terra (1986), coletivo
79. Viagem na Chuva (2014), de Wesley Rodrigues
80. El Macho (1993), de Ennio Torresan Jr.
81. Quando os Morcegos se Calam (1986), de Fabio Lignini
82. Chifre de Camaleão (2000), de Marão
83. Faz Mal… 2, Super-Tição! (1984), de Stil
84. Aquarela (2003), de Andrés Lieban
85. Belowars (2008), de Paulo Munhoz
86. A Lasanha Assassina (2002), de Ale McHaddo
87. Cidade Fantasma (1999), de Lisandro Santos
88. Primeiro Movimento (2006), de Érica Valle
89. Peixonauta – Agente secreto da O.S.T.R.A. (2012), de Célia Catunda e Kiko Mistrorigo
90. História Antes de uma História (2014), de Wilson Lazaretti
91. Égun (2015), de Helder Quiroga
92. Campo Branco (1997), de Telmo Carvalho
93. Informística (1986), de Cesar Coelho
94. Fluxos (2014), de Diego Akel
95. Engolervilha (2003), coletivo
96. Juro que Vi (2003-2009), de Humberto Avelar
97. Lúmen (2007), de William Salvador
98. Os 3 Porquinhos (2006), de Cláudio Roberto
99. Reflexos (1974), de Antônio Moreno e Stil
100. Linhas e Espirais (2009), de Diego Akel

VIA

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