Resenha do site – As Viúvas

viuvasSe quando você pensa em “filmes de assalto” vem à sua cabeça filmes ágeis e cheios de suspense e ação. Ou o mais recente Oito Mulheres e Um Segredo, cheio de comédia e charme, você pode se surpreender com As Viúvas.

Ele não é um filme de assalto? Sim, é. Mas é muito mais do que isso (embora tenha em seu elenco nomes conhecidos dos filmes de ação). Vindo das mãos do diretor Steve McQueen (do vencedor do Oscar 12 Anos de Escravidão), com roteiro seu e de Gillian Flynn (autora de Garota ExemplarObjetos Cortantes), não tinha como ser só isso. McQueen traz a discussão racial e política pra mesa e Flynn os dilemas femininos atuais. Então, some ao assalto: abusos de poder, machismo, disputas territoriais e um ritmo menos frenético. Agora talvez você consegue ter uma ideia melhor do que é o  filme.

Mas o longa ainda tem mais trunfos: seu elenco. Encabeçado por Viola Davis (vencedora do Oscar por Um Limite Entre Nós), o filme ainda tem Liam Neeson, Michelle Rodriguez, Colin Farrell, Robert Duvall e Daniel Kaluuya.

Na história, Neeson e um grupo de outros homens morre em um grande assalto, deixando Davis, Rodriguez e outras duas mulheres viúvas (juntam-se a elas Elizabeth Debicki e Carrie Coon). Por motivos que não nos cabe colocar aqui – para não estragar a história -, elas são levadas a executar o próximo golpe de seus finados maridos. E um jogo político entra em cena, fazendo com que o golpe em si fique em segundo plano na história.

Como não poderia deixar de ser, nas mãos de McQueen e Flynn, As Viúvas se torna um drama pessoal de cada uma das mulheres. Traições, violência doméstica, independência financeira servem de base para a construção do relacionamento entre elas enquanto planejam o assalto. Em paralelo, Farrell e Bryan Tyree Henry executam uma disputa pessoal político-racial: um branco (rico) e um negro (pobre) disputam uma eleição local. Mas o filme não toma partidos.

Os homens que morrem logo no início eram assaltantes. Porém, com filhos e famílias. As mulheres, cada uma em seu universo, sabiam ou não dos “trabalhos” dos maridos, e terão que abandonar a vida que levam se quiserem sobreviver. O negro morador da parte pobre da cidade e candidato não é vitimizado. Também ele é um perpetrador da violência. Tampouco o branco rico, filho de político, é inocente. Se vale do nepotismo e de seu dinheiro para maquiar números e informações relevantes para sua campanha. Não existem inocentes nesta história. De fato, não se trata de um filme para apontar inocentes ou culpados, bandidos ou vilões, mas de um filme que usa do “grande assalto” para descrever pessoas comuns levadas a situações extremas. E nisso ele se sai muito bem.

Com tudo isso em cena, pode parecer que As Viúvas é um filme chato. Pelo contrário. Claro que talvez assistir Oito Mulheres e Um Segredo seja mais divertido, mas se você procura algo com um pouquinho mais de conteúdo, com personagens mais bem delineados e com pessoas mais identificáveis, vai gostar. Vale ainda lembrar que o filme já está cotado para várias indicações ao Oscar do ano que vem. E merece mesmo levar algumas (como atriz, roteiro e direção).

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