Streaming quebra paradigmas e faz a diferença na indústria do entretenimento

Há menos de uma década, assistir a filmes e séries era um fenômeno muitas vezes social. Reuniam-se num mesmo espaço amigos, conhecidos e familiares para ver os desenvolvimentos de alguma trama ou dirigiam-se ao cinema para ter a experiência e a imersão que só a grande tela pode nos proporcionar.

Hoje em dia, assistir a filmes e séries continua sendo um fenômeno social. Pode-se argumentar que o hábito se tornou ainda mais comunitário e interconectado, mesmo que não tenhamos mais a necessidade de dividir uma tela de TV ou de cinema para assistir nossas obras audiovisuais favoritas.

Tal argumento é sustentado pelo fato de os lançamentos destas obras serem cada vez mais “globais” ao longo dos anos, graças ao fenômeno recente do streaming, que é uma das grandes mudanças dentro da cultura pop na última década. A evolução da indústria que de início servia como um grande arquivo de filmes e séries clássicos e que posteriormente se tornou uma das maiores produtoras de conteúdo próprio, associando-se a alguns dos maiores nomes do mundo do cinema para manter um fluxo constante de novas obras sendo produzidas ano após ano, deve bastante a tecnologias como a de streaming e alta definição.

De uma liderança a outra

Quando se discute a história do streaming e de sua popularidade ao longo dos anos, o carro-chefe do processo que percorre essa linha do tempo é a indústria do entretenimento. Foram, afinal, as plataformas que ofereciam filmes e séries em demanda, em boa parte das vezes com preços muito mais acessíveis do que suas contrapartes de TV por assinatura, que serviram como um “quebra-gelo” para que o resto do meio pudesse se desenvolver.

A Netflix é bem mais antiga do que se pensa. Em suas origens a empresa era uma locadora de filmes e séries em DVD que surgiu em 1997 para competir pelo mercado de aluguéis de peças cinematográficas com a Blockbuster, antiga gigante desse mundo que já não existe mais.

Em 2007, a Netflix começou sua transição para o mundo de streaming. Em poucos anos, a empresa saiu da liderança do aluguel de filmes e séries para a liderança do mercado de transmissões via internet. Enquanto isso, a mesma já financiava a produção de filmes independentes, lançando mão dos serviços de diretores célebres como John Waters.

O Irlandês

A virada veio em 2012, com a Netflix sentindo-se confiante em expandir seus domínios. A empresa passaria a não só disponibilizar filmes e séries de outras produtoras e distribuidoras, mas também a produzir e distribuir obras próprias. Muitas dessas produções são hoje grandes “blockbusters” em termos de orçamento, nível de produção e audiência, incluindo aí filmes como O Irlandês, do diretor Martin Scorcese, e Bright, estrelado por Will Smith.

Com isso, a Netflix colaborou muito com a quebra do antigo paradigma de lançamentos “atrasados” para partes do mundo que não eram anglófonas. Como um verdadeiro serviço global, a empresa faz legendas, adaptações e dublagens para várias línguas antes de distribuir suas obras. Logo, não há mais o problema de ter que esperar semanas ou meses até que o filme altamente antecipado ou a nova temporada de uma série de sucesso tenham legendas e dublagens em nossa língua.

O sucesso da referida plataforma acabou atraindo grandes concorrentes. A mais notável é a Amazon Prime Video, serviço subsidiário da gigante de vendas em varejo Amazon que tem um modelo de negócios bem semelhante ao da Netflix. Suas grandes atrações são séries originais como O Homem do Castelo Alto, adaptação do livro de mesmo nome escrito por Philip K. Dick, e The Boys, adaptação da história em quadrinhos de Garth Ennis. Um dos seus grandes investimentos recentes, a produção de uma série sobre Senhor dos Anéis, terá o maior custo da história para obras deste tipo.

Para o vídeo e além

Tanto Netflix quanto Amazon Prime Video continuarão a ser referência na indústria de streaming por anos a fio se depender das forças normais do mercado. Mas fora do mainstream e da dominância destas duas potências no mundo de transmissões, existem contrapartes que atendem a vários nichos e mercados que eram antes pouco explorados.

Existem plataformas de streaming de vídeo que atendem a grupos específicos de clientela, como a Crunchyroll, dedicada a filmes, séries e animes do Japão, e a Oldflix, que oferece filmes e séries antigos do Brasil, dos Estados Unidos e de outros cantos do mundo. Para além dos serviços ligados à indústria cinematográfica, podemos mencionar plataformas de streaming de música como o Deezer e o Spotify, que dão a seus assinantes a possibilidade de ouvir músicas, álbuns na íntegra e também podcasts orientados a diferentes nichos. Outro bom exemplo de setor que vem fazendo uso produtivo da tecnologia de streaming é o de cassinos online, com plataformas oferecendo em seu catálogo de serviços e produtos a possibilidade de jogar em um cassino online ao vivo, reproduzindo, por meio da combinação de tecnologias de streaming e de alta deifnição, a atmosfera de cassinos físicos e oferencendo aos usuários uma experiência bastante imersiva. Outro exemplo a ser mencionado e que também segue nessa linha é o Stadia, serviço de streaming de videogames da Google que permite acesso a vários jogos sem precisar que eles sejam instalados na máquina.

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Com uma conexão à internet de qualidade, é possível acessar estes serviços tantos em PCs quanto em celulares. De fato, a internet via 4G em alguns casos já é rápida e estável o bastante para a transmissão ao vivo em algumas plataformas, incluindo aí as “lives” realizadas via YouTube, Twitch e Facebook.

O setor está em constante evolução não só no sentido tecnológico, mas também no desenvolvimento de novas forças para o mercado. Em breve, o streaming de jogos do Stadia contará com nomes de peso ao seu lado, como o projeto xCloud, da Microsoft e o GeForce Now, da Nvidia. Tudo isso indica que a evolução destes mercados continuará a acontecer a largos passos, com a expansão em escala dando o empurrão mais do que necessário para que as revoluções dentro da indústria aconteçam.

Ousadia que dá certo

Seja Netflix, Stadia ou até o YouTube, o grande fio condutor do streaming e de sua crescente presença na vida do grande público é a tecnologia da informação. Sem a evolução dos componentes que fazem parte dos nossos computadores e celulares, além do aumento ao acesso à internet de alta velocidade (e qualidade) por meio da redução de seus preços, nada disso seria possível.

Mas um outro fator que contribui e muito para a constante expansão do streaming é o perfil arrojado dos empresários do setor, que apostaram, e ainda apostam, em diversas iniciativas tidas como arriscadas pelo resto da indústria. Principalmente no mundo do entretenimento, onde projetos nobres são muitas vezes negados por conta da percepção de serem investimentos de grande risco, é um grande “refresco” para o público ver uma atitude diametralmente oposta a esse costumeiro conservadorismo ser tomada.

Stranger Things

Isso dá ao público a garantia de que estes riscos continuarão a ser enfrentados. Alguns deles podem não ter um final feliz, algo a que qualquer investimento está sujeito. Mas os que derem certo – caso de obras de grande sucesso como Stranger Things e A Casa de Papel – representarão um ganho tanto para o empresário que financiou o projeto quanto para o público que poderá aproveitar uma grande obra que se encontra “fora da caixa” daquilo que a indústria do entretenimento vê como tradicional e funcional.

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