6 problemas da volta às aulas no Paraná em 2021

O Governo do Paraná decidiu oficializar a volta às aulas no Estado.

De acordo com o decreto assinado dia 20/01, as aulas presenciais devem voltar nas escolas particulares e públicas do estado dia 18/02.

Por que isso é um problema?

Ah mas ir pra bar e pra praia pode, ninguém fala nada”. NÃO PODE, AMOR! Fala sim, você que escolhe não ouvir!

1. O modelo híbrido

Com a proposta, um grupo de estudantes acompanha a aula presencialmente, na escola, e os outros alunos da turma participam da mesma aula, simultaneamente, de maneira remota.

Uma das maiores reclamações de pais e alunos com relação às aulas remotas era a de que os alunos não podiam interagir com os professores no vídeo. Continuarão sem poder.

Não tem nem como começar a entender o tal rodízio: uma turma de escola pública costuma ter uma média de 40 alunos. Imagine que destes, 30 alegarão não poder ver as aulas online. Como a escola vai revezar em várias turmas de 10? O professor vai dar a mesma aula três vezes? Uma aula que duraria 50 minutos vai durar 2 e meia (porque vai ser repetida). Quanto tempo vai durar o ano letivo de 2021?

2. A contaminação

O Estado alega que haverá higienização permanente nas escolas.

Qualquer pessoa que conheça uma escola pública sabe da falta de estrutura física. Os funcionários não vencem manter tudo limpo. Em muitas, não há verbas ou equipamentos e produtos suficientes.

Então é ingenuidade acreditar que haverá condição para esta higienização após cada aula. Sem falar no tempo que isso vai levar, aumentando ainda mais o tempo do ano letivo.

Mais um problema: Curitiba está em racionamento de água. A cidade tem hoje 36 horas com água e 36 horas sem. Como a escola vai funcionar sem água? E a higienização? E lavagem das mãos? E merenda?

3. O distanciamento

Quando vemos aquelas reportagens mostrando crianças “com saudade da escola” não dá nem pra gente fingir que acredita que eles estão com saudade do aprendizado (até porque se fosse isso, os vídeos do Aula Paraná supriram muito bem essa falta). A saudade é dos amigos, de zoar professor, de fazer farra. E como eles vão fazer isso mantendo 1,5m de distância um do outro?

Alguém realmente acha que crianças e adolescentes vão manter distanciamento e máscara o tempo todo? Se muitos não respeitam a autoridade do professor em tempos normais, não vai faltar aluno batendo boca porque “não quer sentar longe do amigo”.

4. A vacinação

Uma reportagem recente da RPC divulgou que, nos mais jovens, o índice de mortalidade da COVID é de 1 para 1000. Ou seja: a possibilidade de um jovem morrer de COVID é de 1 em 1000.

Além de um desserviço, afirmar isso como ponto para a volta às aulas é absurdo, porque afinal de contas, a escola não tem só jovens! E professores (que são o QUARTO grupo na fila de vacinação)? E funcionários da cantina, limpeza, secretaria? E os familiares dos professores que, muitas vezes, não estão em nenhum dos grupos de vacinação?

Quer dizer: a criança pode se contaminar (pegando do pai que foi pro barzinho no fim de semana) e não ter maiores problemas. Aí ela passa pra um professor, que pode ter consequências ou pode não ter, mas levar o vírus pra casa, pra mãe ou pro pai. Ninguém está pensando nisso?

5. A educação

Ninguém parece estar fazendo as contas (nosso governador Ratinho Jr e o secretário da educação Renato Feder parecem ter fugido das aulas de biologia e matemática) mas quanto tempo vai durar este ano letivo com professores tendo que repetir a mesma aula várias vezes?

O problema aqui não é que “as crianças não estão aprendendo”, mas o fato de que os pais não aguentam mais seu filhos em casa. Muitos destes pais, aliás, sequer frequentam reuniões de pais para saber da escola em si (nem preciso dizer que muitos ainda acreditam no kit gay que só existe na fantasia do imbecil da presidência) e só agora perceberam como não dar educação suficiente pras crianças é ruim, afinal nem eles aguentam mais ficar com elas muito tempo. Seus “anjinhos” que “não seriam capazes de maldade” se provaram verdadeiros capetinhas, então os professores que aguentem!

Alguém avisou que professor não é babá e escola não é depósito de criança?

6. A equipe

O Paraná está absolutamente desfalcado de funcionários nas suas escolas. De acordo com esta reportagem do G1, o Estado ainda não sabe nem como vai contratar mais de 11 mil funcionários para funções básicas do funcionamento das escolas.

A contratação (que era via PSS e passou a ser terceirizada) empacou na licitação de uma empresa responsável (decisão derrubada em dezembro) e agora a SEED quer que seja feita novamente via PSS. Enquanto isso, há menos de um mês da “volta às aulas”, as escolas não têm inspetores, serventes e merendeiras.

Nem professores: o contrato dos professores que trabalham via PSS (processo seletivo simplificado) acabou em dezembro. Depois de vários adiamentos e uma prova presencial (que nunca existiu e o governo teve a brilhante ideia de inventar em pleno ano de pandemia), o resultado da nova contratação sai no final de janeiro. Porém, de acordo com o próprio edital, o chamamento não acontecerá antes do início das aulas.

Enquanto o mundo volta ao lockdown e o Brasil conta aumento de casos dia a dia (no Paraná os números sobem desde dia 4 de janeiro) o governo insiste em satisfazer vontade de empresários (como a prefeitura de Rafael Greca vem fazendo há meses) e ignorar a saúde da população.

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