Steven Spielberg fecha acordo com a Netflix depois de anos criticando o streaming

Parece que o jogo virou, né queridinha?

Depois de anos de críticas ao streaming e de dizer que as plataformas eram um perigo para o cinema, o diretor Steven Spielberg fechou uma parceria oficial com a Netflix que vai garantir “múltiplos lançamentos por ano”.

Em um comunicado, Spielberg disse:

Na Amblin, contar histórias sempre será o centro de tudo o que fazemos e desde que Ted (Sarandos) e eu começamos a discutir uma parceria, ficou muito claro que tínhamos uma grande oportunidade para contar novas histórias juntos e alcançar novas audiências de novas formas. É uma nova jornada para nossos filmes junto com as histórias que continuaremos contando com nossa família da Universal e nossos outros parceiros. E será incrivelmente satisfatória para mim, pessoalmente. Mal posso esperar para começar a trabalhar com Ted, Scott e todo o time da Netflix.

Diretor que dispensa apresentações, Steven Spielberg venceu o Oscar de melhor direção duas vezes, por O Resgate do Soldado Ryan e A Lista de Schindler. Com outras 14 indicações por seus filmes e um prêmio especial, é o responsável por alguns dos maiores clássicos do cinema moderno, como Tubarão, Jurassic Park, Indiana Jones, ET, Minority Report, Inteligência Artificial e no final deste ano estreia o remake de Amor Sublime Amor.

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Em março de 2018, o diretor havia dito que os serviços de streaming surgiam como um grande perigo para o cinema, afastando o público das salas. Disse ainda que filmes lançados na Netflix ou Amazon Prime eram na verdade filmes para TV que deveriam ser indicados a Emmys e não ao Oscar. Um ano depois, depois que Roma (da Netflix), do diretor Alfonso Cuarón, foi o primeiro filme da Netflix a concorrer ao Oscar de melhor filme e venceu o Oscar de melhor direção além de duas outras categorias, Spielberg direcionou suas reclamações à Academia, propondo inclusive mudanças nas regras para impedir que filmes lançados em streaming concorressem ao Oscar. Mas aparentemente estes argumentos não foram levados em consideração, visto o número de indicações que os filmes em streaming receberam desde então.

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E Spielberg não foi o único a mudar de opinião.

Martin Scorsese, também um grande crítico do streaming, que chegou a publicar um artigo dizendo que as plataformas estavam “diminuindo e destruindo a arte do cinema, reduzindo-as a simples ‘distribuição de conteúdo’, acabou dirigindo O Irlandês para a Netflix, levando 10 indicações ao Oscar com o filme.

Este ano, por conta de boas produções e da pandemia, a Netflix sozinha levou 35 indicações ao Oscar.

Para o Oscar 2022 as regras com relação ao streaming permanecem iguais às deste ano. Ou seja: o filme que estreou direto no streaming pode concorrer ao Oscar desde que seu planejamento inicial fosse estrear nos cinemas e isso tenha sido descartado por conta da pandemia.

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