Resenha do site – Matrix Resurrections

Prólogo comprido demais e pouca ação fazem filme ser menos empolgante que anteriores

Sabe quando você está assistindo a um episódio de uma série e ouve “previously on…” e então um pequeno resumo do que aconteceu antes é mostrado? É exatamente esta a sensação que temos no início de Matrix Resurrections, exceto pelo fato de que o “pequeno” resumo dura cerca de 90 minutos.

Sim, durante a primeira hora e meia de filme o que temos é basicamente um recap dos três primeiros longas, uma explicação e contextualização dos acontecimentos que levaram até ali. E tome (muito) flashback de cenas dos três primeiros filmes e muita falação.

É difícil entender qual foi a ideia da equipe ao construir este prólogo (que a bem da verdade dura mais da metade do filme): se era reviver a memória de quem assistiu aos longas anteriores em 1999 e 2003 e não se lembra direito o que aconteceu ou se explicar o que se passou antes para o novo público que sequer se deu ao trabalho de assistir aos filmes antigos antes de ir ao cinema.

De qualquer maneira, Matrix Resurrections resulta em um falatório basicamente sem fim com duas ou três cenas de ação salpicadas aqui e ali. Esqueça a filosofia cabeça de Matrix (1999): aqui a falação é só pra contextualizar mesmo. Esqueça a ação ininterrupta de Matrix Reloaded (2003) ou mesmo o razoável equilíbrio entre uma coisa e outra em Matrix Revolutions (2003). De alguma forma o equilíbrio foi afetado e aqui a equação desanda.

Sim, entre um flashback e outro, algumas questões são levantadas. Não seria um filme das irmãs Washowski se isso não acontecesse. Ou aqui só de Lana Washowski. Mas o resultado acaba frustrante. Se Matrix reinventou a forma de fazer cinema de ação em 1999, Matrix Resurrections fica perdido entre as piadas com reboots e remakes e pode ser resumido à fala de um personagem: “Nós precisamos de um novo bullet time!”. Bom, infelizmente, vão continuar precisando.

As adições de Jonathan Groff, Neil Patrick Harris, Yahya Abdul-Mateen II e Jessica Henwick são gratas surpresas. Vários deles estão visivelmente se divertindo em cena, mas não são suficientes pra segurar um filme cujo plot principal é um resgate que leva mais de uma hora para acontecer.

Infelizmente Matrix Resurrections se revelou bastante aquém de sua expectativa e espera. Mesmo com a nova onda de filmes de ação “disfarçados” de drama, como no caso de Sem Tempo Para Morrer, por exemplo, o longa não funciona, já que seu drama é, basicamente, desinteressante. A metáfora da transexualidade e a questão do livre arbítrio podem ainda estar presentes, e estas também acabam frustrantes, visto que faltou coragem para ir além. Matrix Resurrections bem que tenta pintar um mundo onde as escolhas não sejam não-binárias, onde exista toda uma gama de possibilidades entre o 8 e o 80, mas fica só na tentativa mesmo.

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