Resenha do blog: Em Transe

Danny Boyle é festejado no cinema pela direção de Trainspotting, mas foi com seu primeiro filme que me impressionei de verdade: Cova Rasa, de 1994. Pra mim até hoje um dos melhores exemplares do humor negro no cinema (ao lado de O Último Jantar, de 1995). Boyle fez escola, fez filmes ruins (A Praia, por exemplo), filmes bons (Por Uma Vida Menos Ordinária, Extermínio) e filmes excelentes (Quem Quer Ser Um Milionário?, que lhe rendeu os Oscars de melhor filme e direção além e outras 6 estatuetas). Nada mais natural que continue evoluindo.

Se em 2010 ele entregou o morno (mas ainda festejado pela crítica) 127 Horas, deixou de preguiça e e 2013 chega de bandeja com o espetacular Em Transe. Como uma obra de arte magnífica em uma moldura fina (com o perdão do trocadilho), um filme onde simplesmente não sabemos o que esperar. Partimos do ponto inicial: Simon (James McAvoy, de O Procurado e X-Men Primeira Classe) é um funcionário de uma casa de leilões de arte atacado durante o roubo de um quadro. O bandido responsável pelo roubo, Franck (Vincent Cassel, de Cisne Negro e Irreversível) não demora a perceber que roubou uma moldura vazia, e irá culpar Simon pela ausência do quadro. Depois de uma sessão de tortura agoniante, acabará por levá-lo a uma terapeuta de hipnose, Elizabeth (Rosario Dawson, de Rent e Sin City). Tudo o que se desenrola a partir daí, absolutamente tudo, é inesperado e inexplicável e absurdamente excelente. E não pode ser revelado aqui sem estragar o prazer do filme.

Sem uma cena desnecessária ou fora do lugar, com a duração certa, a edição rápida que Danny Boyle sabe como ninguém comandar, idas e vindas no tempo e um roteiro rocambolesco que não nos dá tempo sequer de respirar, vamos entrando de tal maneira no filme que quando Em Transe termina nos pegamos segurando a respiração e encolhidos na poltrona.

Daqueles filmes em que partimos de uma certeza que vai sendo, cena a cena desconstruída, não tardamos a desconfiar de tudo e de todos em cena. Será hipnose? Está acontecendo de verdade? O que realmente houve com o quadro? Quem está mentindo? Tudo só será respondido no final, bem no final. Sem pausa vamos vendo Simon se envolver mais e mais no roubo em que ele parecia ser só mais uma vítima. Quem é a verdadeira vítima? Em quem acreditar?

Um filmes que dá prazer em assistir. Um prazer de ver como o cinema americano sabe e pode ser bom sem querer ser pretensioso. Não sentimos que Boyle pretende entregar a obra de arte que entrega, sentimos apenas que ele se propõe a fazer um bom filme. E consegue. Com louvor. Um dos melhores do ano até aqui.

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