Resenha do blog: Truque de Mestre

Quando a sessão de Truque de Mestre termina a gente está com um baita sorriso de satisfação na cara. A sensação é justamente esta: estamos satisfeitos. Este é, sem dúvida, o filme mais divertido do ano até aqui. E acho que posso contar nos dedos quantas vezes saí do cinema com esta sensação.

Divertido não no sentido de engraçado necessariamente, pois não é uma comédia, mas no sentido mais puro do entretenimento. Leve, ágil, esperto, inteligente. Sobram adjetivos. Elenco entrosado e eficiente, texto simples, efeitos bacanas, ritmo acelerado, perseguições de tirar o fôlego, mágicas de encher os olhos, tudo contribui para que nos sintamos mais ou menos como em um show de verdade.

De maneira rápida no início do filme somos apresentados aos “Quatro Cavaleiros”: Henley Reeves (Isla Fisher, de O Grande Gatsby e A Origem dos Guardiões), mestre em truques de escapada; J. Daniel Atlas (Jesse Eisenberg, de A Rede Social e Zumbilândia), que domina truques com carta e ilusionismos; Merritt McKinney (Woody Harrelson, de Jogos Vorazes e Zumbilândia), gênio da hipnose; e Jack Wilder (Dave Franco, irmão de James Franco, de Meu Namorado é um Zumbi e A Hora do Espanto versão 2011), que faz pequenos truques nas ruas. Os quatro serão rapidamente apresentados até que de maneira misteriosa são convocados e passam a formar o grupo “Os Quatro Cavaleiros” com uma apresentação gigante em Las Vegas, patrocinada por um misterioso milionário (Michael Caine, de Batman e O Grande Truque). A cena que vemos no trailer, do roubo a um banco, acontece logo nesta introdução. E é este início que irá ditar todo o ritmo do filme. A partir dali os mágicos irão fugir da polícia e planejar novos números sem descanso.

Para quem eles realmente trabalham? Qual o objetivo? Como crianças que tentam desvendar os segredos de um mágico na festa de aniversário, tentamos desvendar as informações durante o filme, com a ajuda de um “entregador de truques” profissional (Morgan Freeman, de Seven e Batman), um policial responsável por capturar o grupo (Mark Rufallo, de Minhas Mães e Meu Pai e Os Vingadores) e uma agente enviada da França para ajudá-lo (Mélanie Laurent, de Toda Forma de Amor e Bastardos Inglórios).

Com um elenco desse calibre em mãos, diretor e roteirista constroem um filme que nos arremessa dentro das mágicas dos personagens e, sem maiores pretensões, prende nossa atenção. É bem verdade que os currículos aqui não são dos melhores: os roteiristas Boaz Yakin e Ed Solomon são responsáveis por roteiros como Príncipe da Pérsia e As Panteras, respectivamente. Filmes divertidos e tolos. Já o diretor Louis Leterrier tem uma carreira mais infeliz: dirigiu bombas do calibre de Cão de Briga, Carga Explosiva 2 e O Incrível Hulk com Edward Norton, esculhambado pela crítica e realmente ruim. Mas parece que a mistura deu um bom caldo e felizmente, gerou um ótimo filme.

Além de nos entreter de forma simples porém inteligente, Truque de Mestre deixa ainda uma outra lição: a diversão em um filme é inversamente proporcional à sua duração e pretensão. Ao invés de ter mais de duas horas de projeção, como está virando regra, ele não se enrola em “momentos intimistas” ou longos takes para mostrar a personalidade do diretor ou mudar os rumos do cinema. Em pouco mais de uma hora e meia põe na tela o que deve por. Sem sobras, sem gorduras, sem pretensões a não ser a diversão pura e simples. E assim que é bom! Assim que deve ser!

“Look closely, because the closer you think you are, the less you will actually see”

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