Resenha do site: Gravidade

Gravidade-posterJá li muita coisa sobre Gravidade. Coisas como: “o melhor filme do ano” ou “não é um filme, é uma experiência”. Ou ainda “impressionante e imersivo como nenhum outro”. Mas será que tudo isso é mesmo verdade? Bom, não. Gravidade não é tudo isso que dizem. É muito mais. Nenhuma dessas afirmativas acima pode sequer começar a descrever o espetáculo que é o filme.

O diretor Alfonso Cuarón produz algo que ninguém pensou um dia conseguir no cinema: um filme “de espaço” tão ou ainda mais impactante que 2001, o clássico de 1968 dirigido pelo ícone Stanley Kubrick. Gravidade com certeza se tornará também um clássico e um marco do cinema. Com equipamentos e técnicas de filmagens tendo que ser inventados, atores pendurados por cabos feito marionetes ou presos dentro de uma caixa giratória por até dez horas diárias, Cuarón nos prova mais uma vez que no cinema nem sempre é a história que importa, mas sim a maneira como ela é contada.

Sim, porque o roteiro de Gravidade é relativamente simples: dois astronautas se veem perdidos no espaço quando sua nave é destruída por destroços espaciais e lutam para encontrar um meio de sobreviver. Sim, é só isso. Mas a maneira com que esta história simples é contada é surpreendente. George Clooney e Sandra Bullock serão as duas únicas caras que você verá na tela. Durante 90 minutos serão somente os dois astronautas, o vazio do espaço e a voz do controle (de Ed Harris).

Sem nos dar tempo nem pra pensar muito, Cuarón e seu filho (Jonás Cuaron, com quem co-escreveu o roteiro) abrem o filme com uma longa sequência de 12 minutos e meio sem nenhum corte. Bom, sem nenhum corte visível, porque é impossível imaginar como aquelas cenas tenham sido feitas. Um passeio espetacular pela nave, os astronautas, o espaço, imagens de tirar o fôlego da Terra vista de longe até o acidente que os deixa à deriva. Aí sim vem o primeiro corte visível. Com uma engenhosidade incrível e, novamente, uma técnica impossível de se imaginar, diretor e atores flutuam na tela de maneira inacreditável. Simplesmente não dá pra se pensar como aquelas cenas foram feitas. Em entrevista Cuarón já afirmou que o filme estava todo “pronto” no papel antes de ser filmado, com marcações exatas para os atores e que nada poderia sair do script. Sandra Bullock ficava até 10 horas por dia presa numa caixa chamada de cadeira de bicicleta rodando e gravando suas cenas, ensaiadas exaustivamente. Outras vezes sendo marionete da equipe que trabalhou no espetáculo Cavalo de Guerra no teatro,  pendurada por 16 cabos de aço a um guindaste, ensaiando até que seus movimentos se tornassem naturais a ponto de parecer que flutuava. Um trabalho físico magnífico. Aliás, o rosto é praticamente tudo o que os atores têm para interpretar de verdade, já que o corpo estará quase o filme todo dentro da roupa espacial.

Em entrevista para a Folha de São Paulo, a atriz de 49 anos (que ganhou o papel somente após ele ter sido oferecido para Marion Cotillard, Natalie Portman e Angelina Jolie) comentou sobre alguns aspectos da filmagem: “Quando entrei no estúdio, me senti num museu dedicado à tortura. Tudo foi inventado para esse filme e nada havia sido testado. A gente não sabia se ia dar certo até entrar na máquina. Um dia antes de rodar, o guindaste deu pane e um dos braços caiu em cima do lugar onde meu braço estaria. Eles usavam um equipamento que testa resistência de carros nas fábricas em Detroit. Colocavam a câmera nele e lançavam a 40 km/h. O negócio parava a um palmo dos meus olhos”, diz. “Em uma cena dentro d’água, Alfonso me pediu para soltar menos bolhas. Não se importavam se eu morresse ou vivesse”, contou rindo.

O filme foi esperado desde meados de julho por aqui cada vez com imagens e informações mais impactantes. E quanto mais eram lançados trailers, teasers, fotos, mais aumentava a expectativa. Pois ela foi superada em todos os níveis possíveis. Gravidade é impactante e impressionante sob todos os pontos de vistas. A impecabilidade técnica, a impressionante fotografia, a incrível trilha sonora, a maravilhosa metáfora do nascimento… as atuações… faltam palavras para descrever tudo. Sensações descrevem melhor: você vai se pegar em vários momentos agarrando a poltrona do cinema com as duas mãos, ou segurando a respiração, ou suando frio.

Cuarón vem de uma filmografia tão variada quanto importante. Diretor de A Princesinha, Grandes Esperanças, E Sua Mãe Também, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban e Filhos da Esperança, o mexicano sempre demonstrou preocupação com o visual de seus filmes, mas desta vez chega a um novo patamar na história do cinema. Com indicações certas ao Oscar de 2014, pelo menos em todas as categorias técnicas e de direção e filme, Gravidade é uma experiência sensorial que não dá pra descrever com um uso do 3D ainda não visto no cinema. Nada do que se fale sobre o filme pode chegar próximo do que ele realmente é. Das afirmações declaradas no início deste post talvez a que mais se aproxime da verdade seja a de que ele é o melhor filme de 2013. Mas ainda assim está errada, pois Gravidade será o melhor filme que você verá em alguns anos, não somente em 2013. Antes e depois deste ano também.

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