Resenha do site: Círculo de Fogo

Círculo-de-Fogo-Eu me lembro bem do texto de Isabela Boscov, crítica de cinema da Veja, que falava do filme Mamma Mia. O título da matéria era “Desligue o cérebro e vá ao cinema”. Mamma Mia é um dos filmes mais divertidos que já vi até hoje, mas não por isso discordo dela. Adoro o filme, mas que é uma bela bobagem, isso é. “Bela” aliás é um bom adjetivo, porque o filme é bonito, não só pelos corpos, como também pela paisagem. Mas ok, estamos aqui para falar de Círculo de Fogo. Então por que falar de Mamma Mia?

Porque o mesmo título se aplicaria aqui, com a mesma descrição. Não é necessário cérebro para se assistir Círculo de Fogo. Mas isso não quer dizer que ele seja um filme ruim. Muito pelo contrário, ele não pode de forma alguma ser chamado de ruim. Não tem uma vírgula de roteiro e seus personagens são tão profundos quanto um pires, é verdade, mas é uma aventura empolgante e visualmente impactante. Perde para Mamma Mia no quesito qualidade dos atores, mas ganha em efeitos. Uma troca justa às vezes.

Numa homenagem aos filmes e seriados japoneses clássicos, onde monstros aterrorizam as cidades, o diretor Guillermo Del Toro dirige e co-roteiriza uma aventura grandiosa em todos os sentidos. Aqui os monstros (chamados Kaijus) são alienígenas que invadiram a Terra por uma fenda no fundo do oceano Pacífico. Para exterminá-los, governos do mundo todo (menos da América Latina, aparentemente) se unem para criar gigantescos robôs controlados por dois homens de cada vez, chamados de Jaegers, até que estes Jaegers começam a se mostrar ineficazes e algo mais precisa ser feito. O foco principal da história, além da luta mostrosXrobôs é o entrosamento necessário que os dois pilotos precisam ter entre si para controlar seu robozão.

As lutas são grandiosas, quase sempre na água. Tanto Kaijus quanto Jaegers são impressionantes visualmente. Lembram (e referenciam) vários outros do cinema, como Gigantes de Aço, O Gigante de Ferro ou Godzilla. No elenco, nomes praticamente desconhecidos, como Charlie Hunnan (recentemente dispensado do papel principal de 50 Tons de Cinza), Diego Klattenhoff, Idris Elba e Rinko Kikuchi. Comparações com Avatar talvez sejam inevitáveis, mas se ambos os filmes têm nada de roteiro, este sai ganhando no quesito empolgação afinal é muito mais divertido.

Não há muito mais o que falar sobre o filme. Em certos momentos a tensão da luta é grande, em outros bate a nostalgia de quem cresceu assistindo seriados como Jaspion ou Changeman. Seria um ótimo filme em seu todo, mesmo com a precariedade de seus personagens, se ele não tentasse em vão em alguns poucos momentos apelar para o lado sentimental. Seus momentos para chorar se diluem na adrenalina do resto do filme e, seja pelos atores fracos, seja pela falta de personalidade deles, ou porque queremos ver mesmo os gigantes se atracando, não conseguimos nos envolver emocionalmente com ninguém, e estas cenas se tornam quase risíveis.

Mas um momento chororô deve estar presente, esta é a fórmula que o cinema nos ensinou e Círuclo de Fogo segue à risca (e que papai Spielberg usa à exaustão. Aliás será que fui o único que lembrou da menininha de casaco vermelho de A Lista de Schindler?): conflitos pessoais e de ego, um draminha do passado, um trauma aqui, uma pendenga mal resolvida ali, um herói incompreendido que invariavelmente salvará a pátria… está tudo ali, redondinho e sem surpresas. Tudo juntado e parafusado como as gigantescas peças de um Jaeger montando uma aventura gigantesca, muito bacana visualmente, extremamente empolgante e efêmera.

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