Resenha do site – Questão de Tempo

questaodetempoHá 20 anos quando 4 Casamentos & 1 Funeral estreou, se tornou praticamente um marco nas comédias românticas ao receber indicações ao Oscar de melhor filme e roteiro. Um filme despretensioso mas perfeito sobre um grupo de amigos que se encontrava nos casamentos e no funeral do título, centrando a história em um deles. O mérito é de Richard Curtis. Que anos depois encantaria as plateias com outros dois roteiros: Um Lugar Chamado Notting Hill e Simplesmente Amor (que também dirigiu). Em 2013 ele ressurgiu com uma comédia romântica após investidas em épicos de guerra (Cavalo de Guerra, que co-roteirizou) e comédias rasgadas (o ótimo Piratas do Rock) com Questão de Tempo.

Se é que se pode chamar Questão de Tempo de comédia romântica… O filme não é engraçado? Claro que é. Não é romântico? Muito! Mas então?… Então que ele é também um ótimo drama familiar e, seguindo a linha de 4 Casamentos e Simplesmente Amor, traz um núcleo que alivia a melação do casal principal com personagens verdadeiros e sinceros. Se nas três empreitadas amorosas anteriores quem estrelava era Hugh Grant, desta vez é o ruivo Domhnhall Gleeson (que já participou de Harry Potter e Anna Karenina) no papel de Tim. Incorporando os trejeitos e galanteios adoravelmente apatetados de seu antecessor, Gleeson se sai tão bem em seu papel que em minutos de filme não o achamos nem feio mais, mas charmoso e interessante. Seu interesse romântico é encarnado por Rachel McAdams (de Sherlock Holmes e Meia Noite em Paris) como Mary, uma fã de Kate Moss que irá (assim como nós) se encantar pelo estranho Tim.

A história do mocinho que é capaz de voltar no tempo por uma estranha condição dos homens de sua família, inicialmente parece fantasiosa demais para um filme do gênero, mas não leva muito tempo para que entremos de cabeça e nos frustremos cada vez que uma tentativa dele de “re-conhecer” sua amada dá errado. O caso é que de um momento pra frente a relação dos dois deixa de ser o foco e o filme passa a pesar sobre os ombros de Bill Nighy (de Piratas do Rock e Simplesmente Amor) na pele do pai de Tim. Com o humor que carrega sempre e uma ironia afiada típica das comédias inglesas, Nighy dá conta muito bem de segurar o filme até o final, quando a relação pai e filho se torna mais importante na tela que o romance.

Curtis parece se preocupar muito também com a trilha sonora dos filmes que escreve. É fácil notar isso vendo sua filmografia. Seja nos títulos já citados ou em outros casos, como O Diário de Bridget Jones ou até mesmo em Mr Bean – O Filme, a seleção musical é impecável, sempre mesclando clássicos do rock pop a musicas mais modernas. Em Questão de Tempo ele mistura novidades como Groove Armada, The Killers, Ben Folds ou Ellie Gouldin a artistas consagrados como Sugarbabes, Nick Cave e The Cure embalando tudo numa caixinha de mistura musical deliciosa.

Pode parecer que de um pedaço pra frente o filme se torne chato, mas não. Assim como nos filmes anteriores, Questão de Tempo passa a ter um tom mais adulto (como no caso de Simplesmente Amor, onde a história centrada em Emma Thompson elevava o nível comédia romântica da coisa toda). Acabamos por aprender que na vida real de nada vale o poder de voltar no tempo e do amor verdadeiro se não tivermos construído bem a base sólida de nossas relações humanas: a família.

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