Resenha do site – Peter Pan

peter panEra uma vez um tempo onde fantasias e aventuras infantis eram apenas isso: fantasias e aventuras. Sem sexualização, sem besteirol e com alguma inteligência, os filmes infantis acabavam por se tornar clássicos para todas as idades. Tome como exemplo longas como A História Sem Fim, Os Goonies, Stardust ou, mais recentemente o que talvez tenha sido o último bom exemplo: As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, de 2005. Sim, não parece, mas faz dez anos que conhecemos Aslam e, de certa forma, faz dez anos que um bom filme infantil não aparece pelos cinemas.

Porém, com a onda de remakes, releituras e afins que ceifou a criatividade em Hollywood, não era de se espantar que cedo ou tarde uma das histórias mais famosas da literatura (e do cinema) infantil ganhasse sua nova versão. Embarcando na onda de “nova roupagem” para clássicos que transformou Branca de Neve em caçadora, Alice em lutadora medieval e Malévola em Madalena arrependida toda trabalhada no recalque, chega a vez dos meninos lucrarem com uma nova versão de Peter Pan, que estreia esta semana nos cinemas brasileiros.

Funcionando como uma espécie de prequel, a história desse longa é completamente original e se vale dos personagens conhecidos criados por J.M. Barrie para criar um filme divertido, ágil, colorido e, claro, daqueles pra toda a família. No longa, Peter (Levi Miller) é um órfão de 12 anos sequestrado por um navio pirata do orfanato onde vive sob péssimas circunstâncias e levado para um lugar chamado Terra do Nunca. Ali, centenas de meninos garimpam em busca do Pixuim, o pó de fada exigido pelo temido pirata Barba Negra (Hugh Jackman, fantástico). Aqui, é preciso que se diga, o longa toma uma liberdade só vista antes com êxito em Coração de Cavaleiro: coloca as crianças e os piratas entoando Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, numa cantoria digna dos melhores piratas dos filmes com muitos gritos e palmas. Pra quem não se lembra, em Coração de Cavaleiro a torcida de um duelo da Idade Média bate palmas enquanto canta We Will Rock You, do Queen para os cavaleiros na arena. Passado o impacto inicial, a  cena é deliciosamente anárquica e simbólica e é duro segurar a vontade de levantar e cantar junto.

Neste lugar, meio terra de fantasia meio lugar de tortura, Peter deverá se juntar aos outros meninos para minerar em busca do tão desejado pó de fada e ali acaba por conhecer James Gancho (Garreth Heldun), um adulto que está ali meio sem maiores explicações e que, como os meninos, deve cavar e cavar. Logo os dois se tornam amigos e junto com o capataz Smee (Adeel Akhtar) conseguem fugir para a terra das fadas. Lá, conhecerão a guerreira Tigrinha (Rooney Mara) e sua tribo. Daí pra frente o filme é pura diversão e deleite visual e é melhor não contar mais nada para não estragar a diversão.

Os pontos altos do longa ficam por conta do visual espetacular: dos navios voadores às florestas e tribos multicoloridas, das sereias de Cara Delenvigne à imagem formada pelas mínimas fadas. Tudo é de encher os olhos. O diretor Joe Wright é expert em construir épicos visuais. Sob seu comando longas históricos impressionantes e poderosos – tanto visual quanto cinematograficamente – como Anna Karenina (todo filmado dentro de um teatro), Orgulho e Preconceito Desejo e Reparação (por acaso os três com Keira Kneightley) ganharam forma e conteúdo… e prêmios. Agora ele embarca no universo infantil criando um filme tão impactante quanto seus dramas adultos.

Assim como uma criança, Peter quer ser livre, é curioso e ávido por respostas. Irá enfrentar tudo e todos com coragem infantil. Diferente do longa de 2003 que contava a tradicional história de Peter Pan (e que praticamente ninguém se lembra), desta vez o conjunto constrói um filme prontinho para se tornar clássico infantil e agradar gerações. É bem verdade que algumas coisas incomodam um pouco, principalmente os adultos, como a interpretação totalmente fora de tom de Garrett Hedlun. Seu Gancho (que ainda não é um Capitão) é teatral e exagerado como um vilão de faroeste. Talvez seja esta a intenção, mas soa bastante deslocado. Também é incômoda a interpretação de Rooney Mara como Tigrinha, que parece levar a coisa toda a sério demais. Porém isso não chega a atrapalhar enquanto estamos maravilhados pela sutileza do pequeno Levi Miller como Peter ou boquiabertos com a johnnydeppização de Hugh Jackman como o vilão Barba Negra.

No fim, fica o gostinho de infância e aquela sensação de que já sabemos o que vem a seguir. Afinal é aqui que descobrimos como Peter virou Peter Pan, como ele conheceu Gancho e, claro, estamos esperando para saber como esta amizade vai se tornar o enredo de um dos maiores clássicos da literatura infantil.

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