Resenha do site – Ave, César!

ave-cesarOs filmes dos irmãos Joel e Ethan Cohen tem diversas peculiaridades entre si: a verborragia, o humor pitoresco e o elenco com grandes nomes. Alguns são praticamente obras-primas do cinema, como Fargo  ou Queime Depois de Ler. Outros, são ótimos filmes, acima da média, como E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? ou Inside Llewyn Davis. Um deles já  venceu o Oscar de melhor filme, Onde Os Fracos Não Têm Vez. Já alguns são dispensáveis, como Um Homem Sério.

Então, quando as primeiras informações a respeito de Ave, César! começaram a surgir, os motivos pra empolgação eram muitos: roteiro e direção dos Cohen, um elenco de estrelas de primeira grandeza e uma homenagem ao cinema clássico dos anos 40 e 50. George Clooney, Josh Brolin, Ralph Fiennes, Scarlett Johansson, Tilda Swinton e Frances McDormand ao lado de carinhas novas como Chaning Tatum e Alden Ehrenreich em uma grande ode aos tempos áureos dos filmes de espada e sandália e musicais com um texto rápido e certeiro? Não tinha como dar errado.

Bom, não deu muito certo também. O erro começou ao se vender o filme como a dita homenagem. Sim, ele se passa na mesma época em um grande estúdio de cinema. Sim, cenas de musicais, de épicos e de dramas carregados de technicolor acontecem durante o filme. Mas isso não cria exatamente uma homenagem. O estúdio da fictícia Capitol Pictures é meramente o pano de fundo para uma trama política e maçante.

Veja os atores e personagens que homenageiam personalidades reais em Ave, César!

Neste universo, o grande ator da Capitol, Baird Whitlock está gravando o épico bíblico Ave,César! Interpretado com a característica canastrice ensaiada de Georgle Clooney, Whitlock é beberrão e egocêntrico. E será sequestrado durante as gravações. Ao investigar seu sequestro, o poderoso do estúdio (interpretado por Josh Brolin) irá transitar por diferentes “atores” e “filmagens” dentro do filme, inserindo assim o público dentro daquele universo. Mas estas inserções são tantas e tão rápidas, que temos a nítida sensação de que Johansson, Fiennes, Swinton ou McDormand estão ali apenas como acessórios de luxo. Como joias caras enfeitando um vestido popular.

As cenas com o grupo de sequestradores são extremamente entediantes, pra não dizer ininteligíveis, e cortam totalmente o ritmo da produção. Infelizmente os talentos de Brolin, Clooney e do novato Ehrenreich, apesar de grandes, não são suficientes para nos manter interessados naquilo que nos venderam erroneamente como uma homenagem ao cinema e descobrimos ser uma pataquada política. Tanto que no fim das contas, o sequestro em si é o que menos importa.

Claro que, com esta proposta, o filme já entrega algumas cenas prontas para virar clássicas do cinema: o diretor interpretado por Ralph Fiennes ensaiando o caipira de Ehrenreich (que em muito lembra uma cena de Cantando na Chuva); o hilário e nada disfarçado número musical de marinheiros estrelado por Channing Tatum; ou os lapsos de memória de Clooney durante as gravações de seu grande épico são sensacionais. Pena que não bastem para manter a atenção do espectador durante todo o longa.

Assim como a filmografia dos Cohen, Ave, César! é irregular: às vezes uma obra prima, às vezes um filme esquecível. O que mais fica mesmo, é a sensação de que poderia ter sido muito, mas muito melhor. Infelizmente porém algo se perdeu no caminho.

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