Por que When We Rise é mais do que necessário, é fundamental?

Você algum dia já se sentiu vítima de preconceito? Você é negro, gay, mulher, lésbica, transexual, soropositivo? Então muito provavelmente já.

Todos nós que fazemos parte deste grupo (ou de qualquer outra minoria) já sentimos na pele o que é ser tratado de forma diferente por este ou aquele motivo.

Nos anos 70, quando começou a se falar em homossexualidade, a coisa era bem diferente. Homossexuais eram considerados doentes, tratados com lobotomia ou eletrochoque. E isso era normal. Era uma doença e precisava ser curada. Os negros tinham acabado de sair de uma luta pela igualdade, mas as coisas ainda estavam pesadas.

É neste clima que When We Rise começa. Contando a história destes três personagens: Roma – lésbica que lutava pelos pobres e pela igualdade de direitos das mulheres; Ken – soldado da guerra do Vietnã, negro e gay; e Cleve, um jovem de 18 anos, gay, filho de psicólogo e que seria o epicentro de uma luta histórica.

Acompanhando a história real, testemunhamos a vida destes três personagens, também reais, em suas lutas por direitos, movimentos sociais, surras, prisões. Vamos da “descoberta” da homossexualidade nos anos 70, para a epidemia de AIDS nos anos 80, a luta pela constituição de uma família nos anos 90 e a conquista de direitos nos anos 2000.

Leia mais – artigo de Flávio St Jayme sobre preconceito no jornal Gazeta do Povo: A Cada Passo Para Frente, Outro Para Trás

When We Rise é mais do que uma minissérie de quatro episódios. É um documento histórico. É uma necessidade. Mostra que uma boa história não trata apenas de uma causa, mas de pessoas. Sua história real nos deixa emocionados não apenas pelas perdas e conquistas daquela gente, da nossa gente. Mas por ver o quanto gerações anteriores à nossa foram corajosas o bastante para apanhar, sofrer, lutar, dar a cara a tapa, ser esfaqueado, sofrer preconceito na pele e, ao mesmo tempo, nunca desanimar e nunca deixar de lutar. Cenas como a primeira marcha pelos direitos e a imensa colcha de retalhos com nomes de mortos pela AIDS estendida na frente da casa branca são de chorar. E colocam na nossa cabeça uma pergunta: “E nós? Estamos fazendo o que?”.

Criada por Dustin Lance Black (roteirista de longas como Milk – pelo qual ganhou um Oscar, e J. Edgar) e dirigida por Gus Van Sant (diretor de Milk, Elefante Gênio Indomável), e interpretada com ferocidade por atores como Guy Pearce e Mary Louise-Parker,  When We Rise é um documento histórico que nos coloca de testemunhas de nossa própria história: fomos diretamente afetados pelos atos dessa gente que teve coragem de se erguer contra as normas e as regras antiquadas da sociedade. Agora é nossa vez. Não de sentar e usufruir, de lutar cada vez mais por um mundo mais igual. Para todos.

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O verdadeiro Cleve Jones e o livro que inspirou a série

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