Rabos de cavalo e botas: finalmente chegamos à evolução das heroínas femininas no cinema

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Quando Aves de Rapina chegou aos cinemas como uma bomba neon frenética em no ano passado, o longa estrelado por Margot Robbie encantou a audiência com muita atitude e feminilidade. Mas em determinado momento do filme, Harley percebe que sua amiga Canário Negro está brigando mais contra o cabelo longo que contra os inimigos e a oferece uma solução simples mas eficiente: um elástico para prender o cabelo em um rabo de cavalo.

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Este detalhe, que poderia ser mínimo na visão de muitos, pode ser considerado um marco histórico. Depois de décadas sendo retratadas apenas como mulheres sexies em roupas justas e armaduras que evidenciavam os seios ao invés de pensar na praticidade da questão, pela primeira vez a “heroína” estava sendo prática e pensando: lutar e ter que tirar o cabelo da cara é ridículo!

E este pensamento fica claro em todo o filme: aqui as mulheres escolhem as roupas que elas realmente escolheriam para trabalhar ou lutar ao invés de escolher o que homens achariam sexy. E este, amigos, é o exemplo perfeito do que acontece quando se colocam mulheres para fazer filmes sobre mulheres.

BIRDS OF PREY

Mas Aves de Rapina não está sozinho. O filme de Arlequina foi o primeiro em uma tendência de adaptações de HQ que mostram personagens femininas como as mulheres realmente desejam ser, na tela e fora dela. Quando Viúva Negra trouxe o primeiro filme solo de uma mulher integrante do time original de Vingadores (a única, aliás), mais de uma década depois de incontáveis filmes protagonizados por homens no MCU. Numa das primeiras cenas do longa, vemos Natasha Romanoff desistindo do figurino justo e hiper-sexualizado que usou em todos os filmes anteriores e colocando uma calça larga e uma jaqueta de inverno. Depois de oito aparições nos filmes de outros Vingadores e que sempre apareceu em roupas justas, foi revolucionário ver Natasha escolher algo confortável e funcional. E, felizmente, isso se repete ao longo do filme todo.

Segundo a figurinista de Viúva Negra Jany Temime, as escolhas de figurino foram feitas pela própria Scarlett Johansson, que sempre pensava em funcionalidade e praticidade antes de se mostrar sexy ou fashion. Isso também significou que Johansson eliminou qualquer possibilidade de Natasha usar saltos no filme, segundo Jany: “Na verdade ela se recusou a usar saltos. Sempre nos outros filmes ela tinha botas com saltos e decidiu que desta vez seria diferente. Ela disse ‘É muito desconfortável e tolo. Eu não vejo o porque, sendo uma personagem feminina, eu deva usar saltos. É ridículo. É uma cena de ação e tenho que usar um sapato plano’. Então saímos do clichê machista de que mulher precisa estar de saltos para algo muito mais realista”.

Black Widow

Natasha e Yelena então passam todo o filme em botas de combate. E os trajes elaborados também não existem: Yelena encontra a roupa “de heroína” no avião, que não foi feita sob medida pra ela e é muita mais utilitário do que sexual.

Outra visão bastante diferente da figura da heroína sexualizada que tivemos nos últimos tempos foi Sylvie, a personagem de Sophia Di Martino em Loki, uma variante feminina do anti-herói. Todo o figurino da personagem foi pensado de forma a ser quase masculino: “Desde o princípio a diretora Kate Herron e eu conversamos sobre a personagem ser misteriosa e até mesmo andrógina, sem ter uma grande revelação de gênero mas deixando-a se desenvolver como mulher e uma forte protagonista feminina, sem super-sexualizá-la”, disse a figurinista da série Christine Wada ao Entertainment Weekly.

O figurino de Sophia Di Martino foi criado, inclusive, pensando no fato de que a atriz estava amamentando e foi criado pensando nesta necessidade.

Depois de décadas vendo filmes e histórias de heróis sendo feitos por e para homens é um alívio ver heroínas nas telas que não usam roupas que servem para exibir o corpo e não são funcionais ou práticas em ponto algum.

Parece que finalmente estamos saindo da era em que super-heróis eram coisas de nerds punheteiros e, por conta disso, toda mulher precisava de um retrato hiper-sexualizado. Afinal, muito mais fácil pras mulheres se identificarem com heroínas mais realistas que com mulheres de corpos “perfeitos” que estão sempre maquiadas, de salto e com o cabelo perfeito, mesmo em meio a batalhas e lutas.

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