Curta animado curitibano estreia grátis no Youtube. Leia nossa entrevista com o diretor

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Uma criança que vê o avô se mudar para sua própria casa e precisa entender o que acontece na cabeça do idoso entrando nos primeiros estágios do Mal de Alzheimer.

Essa é a premissa do curta brasileiro Napo, do diretor curitibano Gustavo Ribeiro.

No trailer já conseguimos ver o tom emocionante da história: João é um menino que tem seu espaço dividido com o avô, que passa a morar na sua casa com sua mãe. Mas o idoso não o reconhece e as lembranças estão se esvaindo aos poucos.

O curta estreou ontem, dia mundial da animação, gratuitamente no Youtube e pode ser visto por todos. Finalista do LA Shorts 2020 (um dos mais importantes festivais de curtas do mundo), Napo já circulou por mais de 60 festivais mundo afora.

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O Pausa Dramática aproveitou a ocasião e entrevistou o diretor Gustavo Ribeiro sobre a produção do filme, suas influências e o futuro. Leia abaixo:

Pausa Dramática: É o primeiro filme da Miralumo, como você vê a repercussão mundial de “Napo” em festivais pelo mundo?

É uma honra ter esse reconhecimento, o time de produção do filme foi extremamente apaixonado durante todo o processo, então não poderíamos estar mais felizes. Para a gente, esse reconhecimento mostrou que dá sim para fazer cinema de animação do Brasil.

0PD – Quanto de suas experiências pessoais faz parte da história?

A animação é dedicada ao meu avô e a todos os avôs e avós do mundo. Existem vários momentos no roteiro que são baseados não só na minha infância, como na infância de todos nós. Se você é da década de 90 provavelmente só existia uma TV na casa toda e, quando seus avôs ou avós chegavam, você perdia essa posse da TV. A ideia foi tentar trabalhar lembranças universais. De início eu não achava que era uma história autobiográfica, mas após meu avô falecer eu fui vendo o quanto da nossa relação foi inconscientemente indo para o filme.

PD – A qualidade técnica de NAPO é impressionante. A preocupação com detalhes, texturas, luz. Como foi o processo de produção, quanto tempo durou? Foi difícil encontrar profissionais especializados?

Muito obrigado! Achar profissionais era muito difícil em Curitiba, tão difícil que precisamos abrir uma escola, a Revolution, para treinar artistas. Foi um processo cheio de curvas e nuances, mas só assim foi possível fazer esse filme. Tivemos muita sorte de ter o apoio de muitos artistas, que também se apaixonaram pela história.

O processo de produção foi de muito aprendizado, porque na realização desse filme todos nós estávamos descobrindo como fazer uma animação 3D. O curta começou a produção em 2018 e terminou em janeiro de 2020. Existiram diversos desafios técnicos e artísticos ao longo de toda a produção mas, de longe, o maior desafio foi conseguir visualizar o produto final. A animação 3D, em sua natureza, é muito dura. A gente batalha o tempo todo para tirar alguma naturalidade dela e isso é um motivo de muita frustração ao longo do processo. Mas no final deu tudo certo!

PD – A inspiração nos curtas da Pixar é clara: desde os traços dos personagens ao cuidado de não ter diálogos para derrubar fronteiras de idiomas. Quais suas outras inspirações?

Acho que minhas maiores influências são cineastas como Fernando Meirelles, Alê Abreu, Hayao Miyazaki, Pete Docter, Greta Gerwig, Dennis Villeneuve entre outros e outras cineastas.

PD – A questão de não retratar uma família “tradicional” foi proposital?

Sim. Nós tentamos incorporar muitos aspectos culturais e sociais brasileiros no filme. Na parte visual, tem elementos como os potes com o nome dos alimentos, a bíblia na estante, o paninho de crochê embaixo do telefone, coisas que vemos nas casas dos nossos avôs. Na construção da história, a decisão de o João não ter um pai também foi consciente: porque o abandono parental é uma realidade no nosso país e também porque isso seria um motivo para que o laço entre avô e neto se fizesse mais presente.

PD – Quais seus projetos futuros e qual o futuro de NAPO? Ele irá para algum streaming, Oscar ou outros festivais?

A gente tem um outro curta, o “Aurora”, que é uma história pela qual temos muito carinho. Esse filme já esta em produção. Sobre o futuro do “Napo”, acho que não dá pra prever… Já fizemos a nossa parte até aqui, agora é hora de soltar o filme no mundo!

Assista Napo no Youtube:

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