Resenha do site – Eduardo e Mônica

E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que existe razão?”

Sim, é mais forte do que nós mesmos. Ao ler “Eduardo e Mônica” é involuntário começar a cantarolar a música na nossa cabeça. Renato Russo conseguia isso como poucos: diversas de suas canções com o Legião Urbana eram praticamente roteiros prontos. Ato contínuo então elas serem transformadas em produções audiovisuais. Em 2013 Faroeste Caboclo ganhou as telas dos cinemas (e você pode ler nossa resenha sobre ele AQUI) e prêmios de cinema brasileiro e agora chega a vez da maior história de amor do rock brasileiro ter o mesmo privilégio.

Filmado em 2018 e engavetado por conta da pandemia de COVID, Eduardo e Mônica conta a história do casal que “era nada parecido: ela era de leão e ele tinha 16”. Estrelado por Gabriel Leone e Alice Braga, o longa não deixa nada a desejar aos grandes romances de Hollywood. E ainda assim consegue ser uma história totalmente brasileira.

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Com pequenas mudanças em relação à letra da música original e uma maior contextualização histórica (com a inserção da luta pelos direitos e do fim da ditadura nos anos 80), o filme consegue conquistar já nos seus protagonistas. Gabriel Leone traz um Eduardo apatetado e ingênuo e, embora a Mônica de Alice Braga seja um pouco mais carrancuda do que pudéssemos esperar, também é uma personagem carismática que, aliada à beleza e talento da atriz, consegue iluminar a tela quando sorri.

Claro que a gente sabe como tudo vai acontecer. Com algumas cenas traduzindo quase de forma literal os versos de Renato Russo, o longa constrói a relação entre o casal de forma realista e madura, mostrando os problemas com relação à idade, ideais e sonhos. Mônica agora é filha de ex-comunista exilado pela ditadura. Eduardo é neto de ex-militar que defende a ditadura e diz que, se o pai de Mônica foi exilado, é porque deve ter dado motivos. O embate vai além do “ela fazia medicina e falava alemão e ele ainda nas aulinhas de inglês”, do gosto artístico ou conhecimento de mundo. Eduardo adora um cheeseburguer da vizinhança. Mônica é vegana.

Mas “mesmo com tudo diferente” o casal se apaixona e… bom… a gente sabe.

Um filme gostoso de assistir, que mostra os anos 80 de festas e punk rock junto com luta por ideais. Com uma trilha que, ainda esbarrando no clichê, traduz o momento da tela (tem até música do próprio Legião Urbana) e direção esperta e ágil de René Sampaio, Eduardo e Mônica é uma gostosa surpresa que finalmente chega aos cinemas.

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PS: olhando pra trás é interessante pensar como muitos daqueles jovens que ouviam Legião Urbana e gritavam os versos de Geração Coca-Cola de Renato Russo (abertamente gay) se auto-intitulando “o futuro da nação” ou perguntavam “que país é esse?” tenham se tornado adultos preconceituosos, que elegeram um governo fascista que defende a violência e a ditadura. Era este o futuro do Brasil que a Geração Coca-Cola prometeu?

Eduardo e Mônica estreia nos cinemas dia 6 de janeiro.

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