Por que as coisas só prestam pros brasileiros se vierem de fora?

A discussão é velha sim, mas parece que nunca vai terminar: por que brasileiro só valoriza o que vem de fora?

Não me venham com a resposta de que é porque nada de bom se faz no Brasil. Além de marcas de roupas, cosméticos e comida, vamos pensar em alguns exemplos ligados à cultura.

made-in-brazil

Brasileiro consome muito cinema americano. Verdade. De todos os gêneros. Em especial comédias e romances. Por que então os filmes brasileiros têm pouquíssima bilheteria, de uma forma geral? São ruins? Diversos são, com certeza. mas nem só de filmes ruins vive o cinema brasileiro. Assim como nem só de cinema bom vive o cinema americano. Você já ouviu falar em filmes como Domésticas, Estômago, 2 Coelhos, Tapete Vermelho, Cine Hollyúdi, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Não Pare na Pista ou Cinema, Aspirinas e Urubus? Quais destes você já viu? Você é mais ligado em animação? Curte Disney e Pixar? Pois sabia que o Brasil também faz animações? Assista Uma História de Amor e Fúria ou O Menino e o Mundo. Veja AQUI uma lista de alguns filmes brasileiros que valem a pena serem vistos e revistos.

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Séries? Sim, o Brasil também produz muitas. E não apenas a Rede Globo. Você já ouviu falar em Alice, Sessão de Terapia, Vai Que Cola?, Mandrake, Preamar, PSI, Amor Veríssimo, O Negócio, 3% ou Se Eu Fosse Você? São todas brasileiras, produzidas por canais como Fox, Multishow, GNT, Netflix ou HBO.

E com relação à música? Engolimos com farinha novas divas do pop americano que surgem todos os dias. Todas iguais, mas consumimos todas. Não vamos falar aqui de qualidade, questionar se é bom ou não, mas você sabia que o Brasil também produz música pop? Pois é! Entre os gêneros e sub-gêneros do pop, muita coisa é feita por aqui, como Colorphonic, Pato Fu e Fernanda Takai, Lodov, Jay Vaquer, Silva, Lítera. Ou até mais populares como Gaby Amarantos, Anitta ou Valesca. Mas falar mal do que é feito no Brasil vale mais do que sequer conhecer esses artistas. (fikadika a playlist aqui embaixo)

Sim, a bronca é pessoal. Ainda não consigo entender a relutância de editoras brasileiras em sequer avaliar uma obra de autores brasileiros. Sim, marcas como Editora Intrínseca, Editora Rocco, Editora Seguinte (e Companhia das Letras), Editora Novo Conceito, Editora Arqueiro, Editora Sextante ou Darkside Books (que se gaba de publicar apenas fantasias) publicam às pencas traduções de livros estrangeiros. Novamente, sem qualificar entre bons ou ruins, chegam às prateleiras todas as semanas novos Harry Potter, Percy Jackson, Crepúsculo, 50 Tons de Cinza e toda uma leva de genéricos de maior ou menor qualidade sem que pareça haver a mínima hesitação por parte das editoras.

Mas receber um original de autores brasileiros ou sequer se dar ao trabalho de responder um email sobre o envio de um original parece demais para estas editoras. Acham que não vai vender? Nenhuma delas pareceu se preocupar em “testar” o trabalho de um novo autor como produto. Foi preciso uma editora de Portugal decidir publicar a obra para que As Crônicas de Miramar fosse publicado.

Pois agora o livro enfrenta resistência de lojas, de redes brasileiras que, mais uma vez, enchem suas vitrines de obras traduzidas e genéricas e sequer tentam colocar o produto nacional à venda. Se fosse brasileiro e já tivesse feito sucesso fora do país era diferente. Mas não. Um livro novo, de autores desconhecidos? Deve ser fracasso garantido, só vai ocupar espaço. Deve ser assim que pensam os responsáveis de lojas como Saraiva, Livraria Cultura, Submarino ou Livraria da Vila que se recusam a colocar o livro em prateleiras e liberam apenas a “venda por encomenda” (quando muito).

Para alguns leitores, ainda, parece fácil criticar uma obra mesmo sem lê-la, por ser “clichê”. Nunca pretendemos reinventar a roda, aliás, sempre dissemos que nossa obra é inspirada por outras. Mas não, ela é clichê. Mas traga um livro “clichê” ou “mais do mesmo” traduzido pra ver se este mesmo leitor não irá correndo atrás.

Até quando essa síndrome de colônia vai fazer parte do brasileiro? Até quando vamos comer com farinha tudo o que vem de fora (sendo bom ou ruim) sem sequer tentar conhecer o que temos aqui?

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2 pensamentos sobre “Por que as coisas só prestam pros brasileiros se vierem de fora?

  1. Excelente post! Ultimamente eu andava meio frustada com as conversas que tive com algumas pessoas que alegavam não ter nada de bom no Brasil. Como que não tem ?! Eu até desisti de tentar convencer elas, afinal, percebi que elas só enxergam o que querem. Já até ouvi frases como “sou americanizado com orgulho!”. Como pode gente ?! Eu não consigo entender isso haha

  2. Pingback: 10 filmes brasileiros para se esperar em 2016 | pausa dramática

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