The Get Down – primeiras impressões

Quando escrevi a resenha de O Grande Gatsby aqui no site, fiz questão de salientar que o diretor Baz Luhrmann aplica em suas obras sempre um ponto em comum: o amor impossível. Em todos os seus filmes, sem exceção, o amor é o fio condutor da história. Porém, se o amor é a espinha dorsal de suas obras, a música é o sangue que corre em suas veias e as faz vital.

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Quando a música não é elemento essencial da história (como em Moulin Rouge ou Vem Dançar Comigo), ela está presente e pulsante de forma inebriante (como em Romeu + JulietaO Grande Gatsby). Nada mais justo então que, mais uma vez, estes dois elementos colidam em uma obra do cineasta.

Passado em 1977 no Bronx, The Get Down se propõe a contar a história do funk. Mas seu episódio de estreia já demonstra que a série produzida pelo Netflix, dirigida, escrita e idealizada por Luhrmann, irá muito além.

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Zeke (Justice Smith) ainda nem sonha em ser rapper, quer apenas o amor de Mylene (Herizen F. Guardiola), que, por sua vez, quer ser “a nova Donna Summer”. A cultura disco está em alta e beirando a decadência. Famílias negras e latinas convivem e se confrontam diariamente. Drogas, armas, prostituição e criminalidade correm soltas e a música será a válvula de escape destes dois jovens apaixonados.

Pintado com cores fortes e vibrantes, The Get Down ecoa trabalhos anteriores de Luhrmann, como Romeu + Julieta e Moulin Rouge, e não poderia ser diferente, em se tratando de um diretor tão característico. Quando fugiu de seu terreno seguro, o cineasta entregou um filme mediano e esquecível, massacrado pela crítica mundial (Austrália). A série não tem o ar kitsch de musical, mas traz a paixão efervescente de seus personagens. O amor pela vida, o amor pela arte e o amor romântico pincelado com música.

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Toda a epopeia de Zeke no primeiro episódio para conseguir um LP de disco music para sua amada é nada menos que eletrizante. E a competição de dança coroa o episódio com gliter, espelhos e sangue.

O contraste das zonas devastadas pela pobreza com relação à cidade clara e colorida incomoda? Sim, e está lá pra isso. Ruas, vielas, becos, escombros se fundem com pick-ups de DJs, globos de espelho, roupas de lurex em uma história que, mais uma vez, traz o amor como fio condutor.

Luhrmann é mestre em extrair de seus personagens uma paixão inexistente no universo real. Personagens prontos a dar a vida em nome do amor, personagens dispostos a tudo por sua paixão. Zeke quer Mylene. Mylene quer ser cantora. Até onde esta história irá levar só assistindo a série para saber. Mas pelo primeiro episódio já dá pra perceber que a embalagem vai ser colorida e brilhante e repleta de passos de dança (inclusive do lado de cá da tela).

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