Resenha do site: Mulher Maravilha

 

poster-mulher-maravilhaEsqueça o colorido saturado da Marvel e suas tramas de fantasia totalmente desvinculadas do mundo real. Esqueça o tom pesado de Batman vs Superman. Esqueça a fórmula de todos os filmes de super-heróis onde o mocinho salva a mocinha. Mulher Maravilha é, acima de tudo, um filme diferente de praticamente tudo o que você já viu. E, ainda assim, familiar e dentro de seu tempo.

Mulher Maravilha não poderia ter sido feito em outra época, ainda que passado durante a Primeira Guerra Mundial, ele é um retrato dos dias em que vivemos. Num momento histórico que mulheres lutam por igualdade no mundo e no cinema, Diana Prince se coloca como sua representante maior. Ela é poderosa e eficiente, ela se basta e é capaz de salvar sua própria pele sem ajuda de ninguém. E salvar quem está a sua volta também. E não hesita em demonstrar esta força.

Mulher Maravilha é o ápice do girl power, o reflexo de décadas de opressão feminina nos cinemas. Diana salta, luta, laça, golpeia, defende como nenhuma mulher jamais conseguiu. Seminua, é bem verdade, e prende a atenção da plateia de maneira magnética. É impossível não olhar pra ela, não torcer por ela, não querer ser ela (ao invés do bando de bananas que a cerca), seja você homem ou mulher.

O filme começa na mitológica ilha de Temiscira, povoada apenas por amazonas (e fica a dica para o subtexto homoerótico: Diana sabe beijar, mesmo que more num lugar povoado somente por mulheres e afirma que, no que diz respeito a sexo, o homem é desnecessário para o prazer), mostrando a princesa ainda criança e desconhecendo seus poderes. Ela é treinada e acaba, por forças alheias à sua vontade, indo parar no mundo dos homens, em meio à Primeira Guerra Mundial. Neste ponto, o filme tomba para a mesmice do “ser estranho em uma terra estranha”: Diana não conhece casamento, relógio ou convenções sociais e, rapidamente a piada já esgotada por inúmeros filmes, cansa. Pelo menos não dura muito.

Certa de que a guerra está sendo causada por Ares (o deus da Guerra), ela enfia na cabeça que só ela pode derrotá-lo e assim acabar com a maldade dos homens. Com a ajuda de Steve Trevor (Chris Pine e sua habitual falta de vontade e de talento) e dois desajustados sociais (fica a deixa para uma única fala que alfineta a indústria do cinema), Diana vai enfrentar a guerra de frente, de peito aberto e braceletes (e tiara) a postos.

Mais não dá  pra contar, pra não estragar a surpresa. Mas espere muita câmera lenta (em certos momentos lembram bastante 300), uma fotografia basicamente cinza e marrom, colorida apenas pelo vermelho e azul de sua armadura, batalhas estonteantes, toques de romance, de humor e de política e uma batalha final simplesmente épica, como você jamais viu no cinema.

É bem verdade que, estruturalmente, o filme não traz absolutamente nenhuma novidade dentro da fórmula de “filme de origem de super-herói”: um primeiro ato mostrando a vida comum da heroína antes de vestir seu manto (levemente entediante, como de costume, porque o que a gente quer é ver a coisa pegar fogo), a grande reviravolta que a colocará na batalha, a definição de mocinhos e bandidos, os contratempos e o confronto final. A diferença aqui é que, no centro dos holofotes, está uma mulher. E isso, meus amigos, faz TODA a diferença.

O tapete foi estendido e o filme da Liga da Justiça finalmente está chegando. Mas enquanto esperamos pela união da Mulher Maravilha com Batman, Superman, Aquaman, Flash e Ciborgue, a diretora Patty Jenkins e Gal Gadot fazem história com uma das aventuras derivadas de HQ mais bacanas de todos os tempos. E protagonizada por uma mulher.

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