Está ficando chato ver tanta reclamação dos filmes da DC

*Texto de Andy Crump, publicado no The Hollywood Reporter

Liga da Justiça quer que você goste dele. Mais do que isso, Liga da Justiça quer que você saiba que ele é “gostável”, que ele se importa com você, que ele ouviu as reclamações sobre o universo da DC nos cinemas (o chamado DCEU) e mudou. Ele não se leva tão a sério. Existe mais leveza e personalidade em cada esater egg. Em cada referência aos quadrinhos. O filme tenta. Amigo, como tenta. Neste momento, quatro anos e cinco filmes depois de iniciado o DCEU, ele precisa tentar. Os esforços da WB em duplicar o sucesso dos estúdios Marvel nos cinemas ainda não conseguiram ter sucesso nem comercialmente nem de crítica. E Liga da Justiça consegue chegar a algum ponto, pelo menos próximo.

Quando está mal, o DCEU produz títulos como Esquadrão Suicida. Quando vai bem, entrega um Mulher Maravilha. No meio do caminho ficam Homem de Aço, Batman Vs Superman Liga da Justiça. Apesar das críticas mistas da imprensa americana, o filme bateu todos os recordes de bilheteria de estreia no Brasil e espera-se que ultrapasse os U$110 milhões neste fim de semana nos EUA. O que pode falar alto para a continuação do DCEU nos cinemas.

Leia nossa resenha de Liga da Justiça

Em 2016 estava “na moda” falar mal dos filmes da DC. E algumas críticas eram bem merecidas. Em 2017 esta moda parece chata e entediante. Coisa de gente que quer se achar culta. Parte disso se dá por conta do sucesso de público e crítica de Mulher Maravilha, que já ultrapassou os U$800 milhões em bilheteria mundial. Foi o primeiro filme de super-herói focado em uma personagem feminina, a maior bilheteria de um filme em live action dirigido por uma mulher e é amado pela crítica. Mas parece não ser suficiente para mudar a opinião dos cults de plantão sobre o DCEU.

Mas existe outra razão para que reclamar ou tirar sarro do DCEU soe irritante e infantil: o furor causado por Liga da Justiça é uma delas. Queiram os reclamadores de plantão ou não, o filme é um espetáculo de ação que se equipara ou até ultrapassa suas expectativas. Os momentos que funcionam, funcionam muito bem. A maioria deles sendo a interação entre os heróis. Certa química fica aparente, especialmente entre Ben Affleck e Gal Gadot. E quando Henry Cavill, Ezra Miller, Jason Momoa e Ray Fisher completam o time, conseguem entregar um bom trabalho em equipe. Existem muitas piadas no filme em comparação com os outros filmes do DCEU. Algumas delas funcionam (Batman afirmando que algo está definitivamente sangrando, por exemplo), outras não (Flash exclamando “É uma caverna, de morcego!”, por exemplo).

Por trás das câmeras, o filme foi afetado por uma tragédia. O diretor Zack Snyder precisou deixar o posto em maio após a morte de sua filha e entregou o bastão para Joss Whedon (diretor de longas da Marvel) para que fizesse extensivas refilmagens e trabalho de pós-produção. É impossível separar a tragédia pessoal de Snyder do filme e muitas das críticas feitas a ele soam mais como bullying tolo e simples do que críticas propriamente ditas. Coisas de quem precisa reclamar para se provar “inteligente”.

A marca do DCEU ainda está tentando se firmar e ainda está um pouco atrás da Marvel (principalmente em quantidade), e Liga da Justiça deixa claro esse senso de desespero, de quem se apressa quando está perto da linha de chegada para agradar seus expectadores. Não se trata de um filme ruim. É um filme divertido sobrecarregado pelo peso de levar uma franquia nas costas, um participante numa corrida que já tinha começado. Por consequência, o filme nunca chega a ser um filme propriamente dito. Em vez disso é um episódio de um todo, misturando enredo de blockbuster, introdução de personagens, histórias de origem, contexto histórico, referências a filmes passados e futuros e cenas em CGI onde os heróis são arremessados de um lado para o outro em meio a explosões. Trata-se de uma tentativa contemporânea de amarrar clichês do cinema do gênero. E que, na maioria do tempo, funciona.

Até mesmo a adição de compaixão e calor humano do elenco (dentro e fora das telas) se parece com uma boa mudança com relação aos filmes anteriores do DCEU que giram em torno de si mesmos. Homem de Aço fala muito sobre esperança, mas Liga da Justiça, mesmo com suas falhas, usa a esperança como seu principal tema. Se não por outras razões, este seria um bom motivo para ficar feliz com os rumos que o DCEU está tomando. Liga da Justiça pode não ser um filme particularmente bom no quesito obra cinematográfica, mas consegue nos dar a esperança de que as pessoas a cargo do futuro do DCEU no cinema sabem muito bem pra onde estão indo.

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