Resenha do site: Batman

O thriller noir do diretor Matt Reeves reinventa mais uma vez o homem-morcego em suspense que ressalta o lado negro das histórias do herói

Desde que Michael Keaton vestiu a capa e a roupa emborrachada do Homem-Morcego, muita coisa aconteceu no mundo e no mundo do cinema. Nesses 33 anos nossa relação com a tecnologia mudou, nossa forma de enxergar o mundo mudou e o cinema mudou. Se, naquela época, filmes de super-heróis eram raros, hoje são parte fundamental da produção cinematográfica. Natural, então, que eles também mudassem. Os filmes e os super-heróis.

Nesses mais de 30 anos de telona, Batman já teve diversas caras e nuances. Do gótico ao mundo real, passando pelo exagero alegórico, o herói passeou por diversos mundos e universos com várias caras: das mais celebradas (como Keaton e Christian Bale) às mais criticadas (como George Clooney ou Ben Affleck). Mas se tem algo que os 9 filmes protagonizados pelo morcegão nos mostraram foi que nem sempre importa quem está por trás da máscara. Às vezes importa muito mais quem está por trás das câmeras.

Em 1989 Tim Burton reviveu o herói nos cinemas, se afastando totalmente da quase paródia que era o seriado dos anos 60 (e que na época também rendeu um filme). Seu Batman era carregado em tons escuros e não tinha nada do colorido e das onomatopeias de antes. Mas o universo construído por Burton seria soterrado pelo colorido e exagero do filme B de Joel Schumacher em 1997 com Batman & Robin. Em 2005, outro diretor de peso assumiu o posto e nos presenteou com Batman Begins, estrelado por Christian Bale. Nas mãos de Christopher Nolan, o herói carcava os pés no mundo real de vez. Sem cenários exagerados, sem megalomania. E agora, depois das experiências de Zack Snyder com Ben Affleck por baixo da máscara, Matt Reeves assume o comando e, mais uma vez, reinventa o herói.

Assim como Burton e Nolan, Reeves recria o herói à sua maneira, trazendo um filme diferente de todos os anteriores. Batman, que estreia esta semana nos cinemas mundiais, passa longe do que se espera de um filme de super-herói. Esqueça a megalomania de Vingadores ou Liga da Justiça. Esqueça os vilões que querem dominar o mundo. Esqueça os efeitos espetaculares e as cenas de ação de explodir aviões, helicópteros e quem mais estiver no caminho. O Batman de Matt Reeves está mais para Seven ou O Silêncio dos Inocentes que para qualquer outro filme de super-herói.

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Como prometido, o diretor entrega um filme noir de detetive: narrações em off, cenas escuras (praticamente não há luz do dia), diálogos curtos e secos, ritmo lento e um serial killer que deixa pistas. A única diferença para um thriller tradicional de suspense é que, aqui, o detetive usa uma máscara. Aliás, Matt Reeves prova que sabe o que faz. Ao manter seu protagonista mascarado quase a totalidade do filme, mostra que reconhece que não poderia exigir muito de seu ator. Quem está acostumado com a regular falta de expressão de Robert Pattinson que já vimos em tantos filmes (como Cosmópolis, Mapas Para as Estrelas, O Diabo de Cada Dia ou Tenet) não vai se decepcionar: é quando Batman sai de cena e Bruce Wayne toma o posto que a inexpressividade de Pattinson se mostra mais evidente e o personagem ganha a expressividade de um pires.

Mas, felizmente, isso não compromete o filme. Cercado de bons atores (Zoë Kravitz, Jeffrey Wright, Andy Serkins ou Colin Farrell), Pattinson faz o que pode atrás da máscara e convence.

Muito mais cimentado no mundo real e em conflitos políticos e humanos, heróis e vilões se misturam e se completam nas mãos de Matt Reeves. Diretor experiente em criar batalhas épicas e impor um tom político à histórias “requentadas” (é sua a espetacular nova trilogia Planeta dos Macacos), ele consegue criar um thriller de prender a atenção salpicado por uma ou outra cena de tirar o fôlego.

Se você está ansioso para conferir o filme, prepare-se para uma experiência que talvez você ainda não tenha vivido em nenhum filme de super-herói antes. Mas não se engane: este não é o Batman de Robert Pattinson, este é o Batman de Matt Reeves.

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