A maldição da overdose de distopias adolescentes genéricas no cinema

Um adolescente (preferencialmente uma menina) se vê num futuro onde a Terra enfrentou uma grande catástrofe e os países foram obrigados a se reorganizar. Neste novo planeta, focado sempre nos Estados Unidos, as divisões de cidades e estados foram substituídas por divisões de castas, onde mais fortes subjulgam mais fracos. Este adolescente então vai descobrir que faz parte de um grande plano maior e que terá em suas mãos a salvação do planeta, mas pra isso irá precisar se rebelar contra este sistema de castas, expondo a verdade para todos os outros. No meio do caminho este(a) protagonista vai se apaixonar, mas vai se ver entre dois pretendentes diferentes com a difícil (e previsível) escolha deixada para os últimos momentos. Soou familiar?

Não faz muito tempo, em 2012 estreou o primeiro filme da saga Jogos Vorazes. Estrelado pela então estrela em começo de carreira Jennifer Lawrence, o filme era vibrante, até mesmo original. Ficamos envolvidos com aquela história, queríamos saber mais, torcíamos por Katniss e Peeta. No ano seguinte, a segunda parte. Em Chamas já não tinha a originalidade e o frescor do primeiro filme e carregava um ar de requentado.

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Em 2014 a terceira parte, que junto com a quarta que estrearia em 2015 formava o terceiro livro. Sim, o livro foi dividido em dois filmes. Assim como em Crepúsculo e Harry Potter. Porém, se estas duas últimas partes passavam longe do interesse da primeira, nesse meio tempo o cinema foi invadido por distopias adolescentes cada vez mais genéricas e menos relevantes.

Como já dissemos na resenha de A 5ª Onda, é um processo natura: se algo faz sucesso, vamos copiá-lo à exaustão. Não é só no cinema (afinal todos estes filmes vieram de livros), mas em diversas artes como música, TV (tome a avalanche de séries de super-heróis) e muito mais.

Vamos ver os livros como exemplo: nas livrarias pilhas e pilhas de cópias de A Culpa É Das Estrelas (que também já estão virando filmes), Crepúsculo, 50 Tons de Cinza e mais atualmente de Garota Exemplar (caso de A Garota no Trem) enchem as prateleiras e fazem a alegria de adolescentes.

Mas voltemos às distopias no cinema.

Depois de Jogos Vorazes veio Divergente. Extremamente genérico, se calcava na estrela de A Culpa é das Estrelas para entregar uma história tão confusa e desinteressante que sequer se conseguia ver o segundo filme.

divergent

Também tivemos o fiasco de O Doador de Memórias, que nem um elenco de nomes fortes como Jeff Bridges e Merryl Streep conseguiu fazer alavancar com sua história clichê e seus protagonistas desinteressantes.

The-Giver-Movie

Então veio Maze Runner. Se o livro era ruim, com uma linguagem pobre e quase infantil, o primeiro filme era uma grata surpresa. Aquele microuniverso criava uma empatia instantânea com seus personagens e com a situação. Uma pena que tivemos um segundo filme totalmente desnecessário e que serviu apenas para encher linguiça para o terceiro. Que está com a produção parada devido ao acidente que o ator principal (Dylan O’Brien) sofreu no set.

maze runner

Culminando e batendo o último prego no caixão a nossa paciência veio A 5ª Onda. Num amontoado de clichês inacareditável, o filme consegue ser o pior de todos. Nem o talento de Chloe Grace Moretz e Liev Schreiber consegue fazer algo de bom.

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E não se espante se Mil Pedaços de Você de Claudia Gray ainda virar filme. Segue os mesmos padrões de todos os outros.

Todos estes filmes (e o livro Mil Pedaços de Você) possuem características muito comuns: um casal adolescente de protagonistas, um segredo a ser desvendado, uma luta contra o “sistema”, um mundo pós tragédia, uma organização maléfica liderada por adultos. Numa espécie de ode à rebeldia, o casal invariavelmente irá se unir a outros da mesma idade e fundar um grupo de rebeldes contra estas regras dos adultos.

Distopias geralmente são bacanas, lutas em mundos pós catástrofes também. Mas tudo o que é demais enjoa. Ainda mais quando mal feito, com cara de “fiz pra aproveitar a leva de sucesso”, como é nitidamente o caso de todos desta lista com exceção de Jogos Vorazes. Os longas feitos à toque de caixa, com elenco despreparado e com tramas que vão ficando filme a filme cada vez menos interessantes (pecado que o próprio Jogos Vorazes também comete, mesmo nos livros) acabam por cansar o espectador que em determinado momento nem quer mais saber se aqueles adolescentes vão conseguir se salvar ou não. O que importa mesmo é que tudo acabe logo.

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