Por que não é exagero dizer que Stranger Things é o Star Wars desta geração?

Calma! Guarde as pedras e os xingamentos para depois de ler este texto!

Em um primeiro momento você pode achar que Stranger Things (ST) e Star Wars (SW) não têm lá muito em comum. De fato, ambos são duas coisas bastante diferentes, especialmente nas suas histórias. Mas mesmo assim, de muitas maneiras, ST acabou se tornando o SW da nossa época, da geração Netflix.

Não somente como os dois são praticamente cartas de amor à cultura pop e à História, mas também como ambos vieram de repente e dominaram a cultura.

Quando SW estreou em maio de 1977, ele veio de repente. Claro que todo mundo lendo este texto reconhece o impacto cultural que isso causou no cinema nos anos seguintes. Eu mesmo costumo dizer que hoje SW é muito mais um ícone da cultura pop que mero cinema. Ele ultrapassou esta barreira. Muita gente pode até nem ter visto qualquer um de seus filmes inteiros, mas reconhece nomes como Darth Vader, Mestre Yoda e Princesa Leia.

Meses depois de seu lançamento, SW estava em todos os lugares: de brinquedos a discos. E, diferente de muitos blockbusters de hoje em dia, não vinha de nada que já tinha sido feito antes. Não era uma sequência, um reboot ou um remake. Ou mesmo uma adaptação de quadrinhos ou livro.

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Desde então o público pede por um “novo SW”, com muita gente dizendo que um fenômeno parecido não seria sequer possível nos dias de hoje: uma produção original que se torne fenômeno mundial. Na última década, o filme que chegou mais perto disso foi A Origem, e isso já faz 10 anos.

Mas, em muitos aspectos, o novo SW já chegou: Stranger Things. Ele apenas não aconteceu nos cinemas mas, como é característico desta nova geração, nos streamings.

Clatro que aqui devemos entender as proporções de dois fenômenos: o impacto cultural de SW é inegável e provavelmente NUNCA será repetido. O filme de George Lucas surgiu em um período de “vazio” e foi algo nunca visto, nunca havia surgido nada parecido. ST chegou em meio ao Universo Marvel no cinema, um mundo onde Game of Thrones e Disney miravam a mesma audiência. Inclusive o próprio SW. Mas ainda assim, eles são bastante semelhantes em suas essências.

A repercussão e o sucesso praticamente instantâneo de ST se assemelha muito ao que aconteceu com SW décadas atrás: assim como SW, ST surgiu de repente, vindo do nada. Não era baseado em nenhum material (nem sequência ou remake) e seus criadores eram desconhecidos. Apenas alguns dias depois de estrear na Netflix, ST tomou conta das redes sociais como nenhum outro. Memes, fotos, comentários, críticas, notícias… tudo estava por todo lado. Assim como SW, a série logo gerou uma infinidade de produtos à venda e as fantasias de Eleven e Dustin tomaram as redes sociais. Não havia como escapar.

Acima: Stranger Things e abaixo: Conta Comigo

E embora as narrativas sejam bem diferentes, a chave para o sucesso de ambos é bastante semelhante: eles são diferentes e “novas” o suficiente para parecerem “frescas” ao público mas são cheias de referências e influências o suficiente para também parecerem familiares. Ambas são uma junção de coisas já produzidas. Ambas tomam elementos emprestados de outras produções.

SW tomou emprestados elementos das séries de Flash Gordon, o mito do Rei Artur, faroeste, contos de fadas, Duna, Segunda Guerra Mundial, filmes de Akira Kurosawa e mais um monte de outras fontes. Enquanto isso, ST é filho de uma geração inteira que cresceu no cinema e na TV nos anos 70 e 80: é como se os criadores tivessem olhado para tudo que foi hit desde 1975 (ano de estreia de Tubarão) até 1993 (lançamento de Jurassic Park) e tivessem tomado elementos de tudo e transformado em série.

How STRANGERS THINGS is this Generation's STAR WARS_3

As duas produções usaram os mesmos truques com sua audiência: parecem novos e emocionantes para a audiência mais jovem e são uma viagem nostálgica para os mais velhos. Em 99, os jovens que lotavam os cinemas e compravam os brinquedos de SW não conheciam o que tinha inspirado o filme. E não se importavam. Apenas se divertiam com o produto final. Ao mesmo tempo, os adultos baby boomers conheciam todas as referências misturadas na tela, e estavam adorando a salada.

Exatamente o mesmo acontece hoje: a geração Netflix se apaixonou pelos personagens de ST e suas histórias, enquanto os mais velhos (como eu) que cresceram nos anos 70 e 80 se divertem vendo na tela referências que eles conhecem de outras produções e épocas, de filmes e livros de sua juventude.

Este post é inspirado em uma publicação do site Nerdist

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