Resenha do site: Mais Que Amigos

Esta semana li em um site americano uma análise dos motivos pelos quais Mais Que Amigos, mesmo com críticas e recepção positiva da imprensa americana, havia sido um fracasso de bilheteria no fim de semana de estreia.

O texto citava fatores como a concorrência do streaming (com estreias pesadas como Abracadabra 2 – que se tornou o filme de maior sucesso na estreia no Disney+ – e Blonde, a aguardada cinebiografia fictícia de Marilyn Monroe na Netflix) e o fato do filme ser bastante nichado, anunciado desde a pré-produção como “a primeira comédia romântica LGBT+ de um grande estúdio”.

Depois de assistir ao longa escrito e estrelado por Billy Eichner (conhecido do público por suas participações em American Horror Story), além de concordar com os argumentos do texto, podemos listar alguns outros motivos pelos quais o filme simplesmente não funciona.

Logo de cara somos apresentados a Bobby, o protagonista interpretado por Eichner: um homem irritante, amargurado, pretensioso e pedante. Seu discurso desde a primeira linha é o de “Eu sei mais que você, seu ignorante. Vá aprender sobre a história LGBT+ antes de querer conversar comigo. Eu sou sozinho por opção, e não porque sou tão chato que ninguém me aguenta mais de cinco minutos” e, instantaneamente, criamos antipatia pelo personagem, pensando em como vamos aguentar mais uma hora e meia daquela ladainha panfletária.

Bobby parece ser suportado apenas por seu pequeno grupo de amigos (só Santa Cher sabe como) e pela equipe que trabalha com ele: um seleto e absurdamente estereotipado núcleo representante das outras letras da comunidade contendo a lésbica raivosa, a “woke”, o bissexual que fica o tempo todo questionando seu apagamento e uma millennial não-binarie que só quer saber de redes sociais.

Os demais personagens gays do filme não fogem dos estereótipos: os fortões abobalhados, o gordinho engraçado, os preconceituosos… todos estão lá como em um verdadeiro desfile de “tipos”. Ficamos tão constrangidos pelo lugar-comum do filme pretensiosamente anunciado como “um marco” que pouco nos importamos com a história e, quando percebemos, o casal está formado quando Bobby engata o romance com Aaron (Luke Macfarlane): um advogado frustrado (claro), fortão (claro), que entende pouco do universo gay (claro).

No que diz respeito ao lado comédia romântica da coisa, o filme preenche todos os requisitos, embora tenha muito pouco de comédia em si: os amigos divertidos (mais divertidos e interessantes que o protagonista, diga-se de passagem), a trilha sonora bacana, o break up no meio da história… pode conferir na nossa lista que todos os itens estão lá, mas não é suficiente.

O que acaba incomodando e muito em Mais Que Amigos é o tom panfletário de seu protagonista. Além do fato de ser impossível torcer por alguém que nos irrita desde o início, Bobby é extremamente arrogante em todos os seus discursos, deixando claro que se sente melhor que todos à sua volta nas entrelinhas.

O longa que se propunha “inovador” acaba sendo chato tanto para heterossexuais (que rapidamente vão se encher do discurso de Bobby lhes chamando de ignorantes e alienados) quanto para a comunidade LGBT+ que, além de mais uma vez se ver representada por estereótipos na tela (o que não é nada inovador), com certeza conhece alguém como Bobby e mantém distância, portanto não vai querer passar uma hora e meia vendo alguém assim protagonizar o que era para ser uma história de amor e acaba sendo um exercício de paciência.

No fim das contas, Mais Que Amigos é muito mais um discurso sobre o grade vilão que é Hollywood ao não ter retratado histórias LGBT+ nas telas antes que um filme divertido de se assistir. O que, aliás, parece refletir o pensamento de Billy Eichner, culpando a ignorância da população pelo fracasso do filme e, como seu personagem, apontado o dedo para os outros para justificar seus próprios erros. Quem sabe se ele tivesse se preocupado mais em fazer um filme que fosse mais divertido e menos didático e pedante teria tido mais sucesso.

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