Resenha do site #ignoradosOscar2015 – Pride

Pride_Movie_2014_PosterExiste uma categoria não oficial de cinema que é frequentemente ignorada ou subestimada por público e premiações em geral. E os filmes desta categoria são, invariavelmente, melhores que 90% dos filmes norte-americanos. Fazem parte dela títulos como Kinky Boots, Todas as Cores do Amor, As Garotas do Calendário, Ou Tudo Ou Nada, Quatro Casamentos & Um Funeral, O Grande Hotel Marigold, O QuartetoMorte no Funeral. Estamos falando das pequenas comédias dramáticas inglesas (e do Reino Unido em geral).

São filmes frequentemente pequenos, sem atores conhecidos ou chamarizes de público (quando Quatro Casamentos estreou ninguém sabia quem era Hugh Grant e Andie McDowel apesar de conhecida não era exatamente queridinha das plateias). Se tornam adorados pela crítica (dos listados acima, dois concorreram ao Oscar de melhor filme e somente outros dois não foram indicados ao Globo de Ouro) e geralmente viram cult com o passar dos anos. Filmes que nunca pesam na mão, inteligentes, com tramas originais e, embora tenham momentos engraçados e emotivos, ficam sempre no limiar do piegas e do triste.

Pride faz parte desta lista: indicação ao Globo de Ouro, sem atores conhecidos do grande público, trama inteligente e original inspirada em fatos reais, sem muito apelo comercial e equilíbrio entre piadas engraçadas e momentos de bastante emoção. Inspirado em um momento histórico no Reino Unido quando mineiros de pequenas cidades do interior entraram em greve por melhores condições de trabalho em 1984, o longa conta como um pequeno grupo de ativistas gays decide ajudar na greve e na busca por direitos.

Colocando-se na pele dos mineiros, os amigos “entendem” de preconceito e maus tratos da sociedade, além de ignorados pelas autoridades para fazer valer seus direitos. Na década de 80 a AIDS surgia, ainda era um enorme fantasma e gays assumidos sofriam represálias da família e de estranhos, se limitando a pequenos guetos. Então é de se esperar quem uma pequena vila de mineiros do interior não irá recebê-los exatamente de braços abertos.

Mesmo assim é tocante e emocionante como os meninos gays (e uma única moça lésbica) irão enfrentar o preconceito em sua vontade de ajudar. Com uma trilha sonora excelente e visual bem oitentista em figurinos e penteados, a saga do pequeno grupo que passa a se intitular GLSM (Gays and lesbians support the miners – gays e lésbicas apoiam os mineiros) contra o preconceito da sociedade em geral, que logo passará a taxar todos os favoráveis ao grupo também de gays ou mesmo de grupos que tentam impedi-los sequer de apoiar a causa, é intensa e emocionante. Lembra de certa forma Priscilla – A Rainha do Deserto, mas digamos, com mais conteúdo, com mais propósito. Ou The Normal Heart, mas mais leve. Ainda nos deixa com aquela sensação de “eu também posso fazer alguma coisa pelo mundo”, ainda que em pequenos passos.

O ano de 1984 entrou para a história destas pessoas e mudou a vida de muitas delas. Alguns são políticos e ativistas até hoje. Pride vai fazê-lo rir e até chorar, é um filme leve, engraçado, divertido, emocionante e inteligente. Como toda boa pequena comédia dramática inglesa costuma ser.

 

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