Resenha do site – Amor, Sublime Amor

60 anos depois da estreia do clássico, Steven Spielberg reconta a história de amor de Maria e Tony

Mexer com um clássico do cinema é sempre um assunto espinhoso, é cutucar o ninho de tubarões com vara curta (o trocadilho foi intencional). Em 1961 Amor, Sublime Amor estreava nos cinemas americanos adaptando um musical de sucesso da Broadway contando uma história de amor impossível entre dois jovens de gangues rivais em Nova York.

Embora até hoje o longa permaneça um clássico amado por muitos, é inegável que visto aos olhos de hoje ele tem alguns defeitos graves, como atores pintados de marrom para parecerem latinos e uma gangue de jovens porto-riquenhos sem nenhum ator realmente de origem latinoamericana. Sua inocência e ingenuidade também destoam hoje em dia e, ainda que suas muitas qualidades sejam inegáveis, tratava-se de uma história que merecia ser recontada.

Eis que por conta de um presente aos 10 anos de idade, um dos diretores mais competentes e celebrados do cinema atual decidiu dar uma nova vida para esta história. Quando criança, Steven Spielberg ganhou de seus pais um disco com uma trilha sonora de um musical e, naquele momento, se apaixonou pelo gênero. E comanda esta nova versão de Amor, Sublime Amor com uma paixão visível.

A história de amor shakespeariana entre Tony (Ansel Elgort) e Maria (Rachel Zegler) acontece entre uma briga de gangues no West Side em Nova York nos anos 60: os Jets, descendentes de irlandeses e que se consideram donos das terras onde moram, comandados por Riff (Mike Faist) e os Sharks, descendentes de porto-riquenhos que moram nas mesmas terras e estão recebendo direitos de moradia do governo, comandados por Bernardo (David Alvarez). No meio deles, Tony (dos Jets) e Maria (dos Sharks) vão se apaixonar. E o palco da tragédia anunciada será montado.

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Spielberg dirige esta nova versão com mãos de quem sabe muito bem o que está fazendo: durante todo o filme temos a impressão de ainda estarmos assistindo ao longa de 1961 no que diz respeito à fotografia e cenografia. Mas não se engane! Seu olhar corrige os erros do anterior e dá um upgrade necessário ao musical.

Desde os figurinos que, por si já separam Jets de Sharks (os Jets em tons de azul e cinza e os Sharks em cores quentes como laranja, amarelo e vermelho) à iluminação, tudo nos transporta imediatamente para aquele mundo onde aquela história se passa. Números musicais poderosos, músicas emocionantes, coreografias espetaculares. Steven Spielberg demonstra a cada take um respeito imenso pelo que está fazendo. E, se para muitos de nós o final é conhecido, as mudanças na trajetória durante o caminho são muito bem vindas.

Os grandes destaques aqui, além dos já citados detalhes que diferenciam Jets de Sharks e da fotografia, são as interpretações de Ariana DeBose como Anita e da novata Rachel Zegler como Maria. Já cotada para o Oscar, Rachel entrega uma Maria cativante e apaixonante em oposição ao Tony sem sal de Elgort. Claro que ainda precisamos falar da participação de Rita Moreno. A atriz que venceu o Oscar em 1961 pelo papel de Anita na versão anterior do filme, aparece como uma espécie de fada madrinha de Tony e dá ainda mais emoção para o longa.

Ao tratar de um tema importante como o preconceito e colocando, propositalmente, diálogos em espanhol sem legenda (pois o diretor queria que o público americano se sentisse como os latinos que não compreendem o inglês), a história ganha ainda mais ênfase.

Tendo em mãos uma tarefa espinhosa, Steven Spielberg consegue o que poucos conseguem: fazer não apenas um remake mas uma atualização pertinente e sensacional de um filme amado por gerações. Fazendo cinemão com todo o ÃO que tem direito, o diretor renova a história para um novo público mantendo-a fiel ao original para os nostálgicos e entregando um dos melhores filmes do ano.

Dica: depois de ver Amor, Sublime Amor assista Em Um Bairro de Nova York. O primeiro funciona como um prequel do segundo e, ainda que em tons completamente diferentes, ambos retratam o mesmo povo. Podemos pensar em Amor, Sublime Amor como o início de uma história nos anos 60 que, nos anos 2020 está como em Em Um Bairro de Nova York.

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