Resenha do site – Querido Evan Hansen

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Quando falamos em musical, é difícil imaginar um filme dramático e triste. Até porque é muito mais fácil sair cantando e dançando na rua quando se está feliz, né?

Por isso mesmo, esse é o primeiro gosto estranho que Querido Evan Hansen traz ao paladar: sua história é triste, suas músicas são dramáticas. Seu tom é de tristeza e tragédia. As canções (e aqui fala alguém apaixonado pelas músicas de La La Land e O Rei do Show, dos mesmos compositores) parecem sobras de um disco de uma banda EMO dos anos 90.

A história parte de um ponto bastante interessante: Evan Hansen, um jovem que sofre com ansiedade, fobia social e depressão, é aconselhado por seu terapeuta a escrever cartas de apoio para si mesmo. Um dia na escola ele manda imprimir uma destas cartas por engano e o isolado e problemático Connor pega e lê. Pensando que a carta falava dele, Connor a leva consigo. Dias depois Evan recebe a notícia de que Connor se suicidou e o único bilhete que deixou foi uma carta que começa com “Querido Evan Hansen”. O que ninguém sabe é que não foi Connor quem escreveu a carta, mas o próprio Evan. E o mal entendido ganha proporções inimagináveis.

Sim, é um musical sobre ansiedade, depressão e mentiras para aliviar a dor. E, por isso mesmo, as coisas não combinam. Evan (Ben Platt) canta o tempo todo sobre sua dor e os motivos para sustentar sua mentira, que ele mesmo estimula. Pois é: ao mesmo tempo que ele sabe que o que faz não é certo, ele tenta se convencer de que é bom. Enganando os colegas de escola e os pais de Connor, ele nos deixa em uma posição difícil sobre gostar do personagem: a mentira é justificada pelo fato dele ter encontrado na família de Connor a que nunca teve? Ou nada justifica o fato dele inventar que ele e o rapaz tinham uma amizade que nunca existiu?

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É difícil segurar todo um musical fundamentado na tristeza e na “realidade”, ainda mais quando não conseguimos nem saber se gostamos do protagonista. Mesmo os mais dramáticos (citemos Evita e Os Miseráveis) têm um pé na fantasia e no exagero. Mas, ao querer ser realista Querido Evan Hansen acaba se levando a sério demais e seu exagero fica somente por conta dos agudos mesmo. Não há um respiro, um número musical alegre, um momento de redenção em todas aquelas lágrimas. E isso acaba cansativo.

Outro problema do filme é que, vendo a confusão em que Evan se enfia a cada dia mais, ficamos esperando pelas consequências da mentira. Quando elas veem, é de forma simplista, apressada e mal resolvida. Era de se esperar que uma história tão dramática tivesse um final poderoso, mas não. Ele aparece murcho e sem gosto. Pode ser uma falha da direção de Stephen Chobsky em levar uma história que fez tanto sucesso nos palcos para a tela.

No final das contas, Querido Evan Hansen vale por uma ou duas músicas (uma delas original do filme – Anonymous Ones, pronta para concorrer ao Oscar) e pelas participações de Amy Adams e Julianne Moore. Se for pra ver um musical recente sobre jovens em high school, prefira optar por Todo Mundo Está Falando Sobre Jamie ou A Festa de Formatura.

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PS: muitos críticos reclamaram da escolha de Ben Platt (que tem 28 anos) para interpretar o protagonista adolescente de 17 anos. Porém, além do fato dele ter feto o personagem na Broadway por mais de 100 apresentações (e ter vencido o Tony Award por isso), esta diferença de idade nunca foi problema em Hollywood. Basta ver a quantidade de adultos que interpretam adolescentes nas produções. Exemplo: quando Glee começou, Cory Monteith (o Finn) tinha 27 anos e interpretava um adolescente no high school.

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